Mostrando postagens classificadas por data para a consulta Robert Dimery. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta Robert Dimery. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

The Rolling Stones | Beggars Banquet

Os dois anos anteriores não tinham sido particularmente bons para os Stones. Mick Jagger e Keith Richards foram presos na casa de Keith em Sussex, o que resultou num processo judicial nocivo para sua imagem. O uso de drogas e repetidas detenções transformaram Brian Jones, o primeiro líder da banda, numa sombra do músico multitalentoso que havia sido. E eles haviam perdido o bonde da história psicodélica com o desorientado disco Their Satanic Majesty's Request.

Desse caos nasceu Beggars Banquet. Os Stones deixaram de lado a parafernália psicodélica dos estúdios e voltaram às suas raízes no blues e no country para produzir um disco acústico clássico, que também dava pistas do caminho mais sombrio que sua música tomaria um pouco mais tarde. A elegante "Jumpin' Jack Flash" os levou ao seu primeiro lugar nas paradas em dois anos e nela está um de seus riffs mais famosos. "Street Fighting Man" aderiu ao movimento de 1968, um gesto de apoio aos protestos estudantis e à desobediência civil. A épica "Sympathy For The Devil" une uma letra infame a uma despojada batida de samba. Há que se destacar a ausência de Jones do disco, embora sua slide guitar em "No Expectations" seja uma lembrança de glórias passadas.

A capa do álbum é um convite simples ao banquete do título, apesar de o fundo branco, infelizmente, remetar à obra-prima dos Beatles, conhecida como o Álbum Branco, lançada algumas semanas antes. Mas isso não interferiu. O disco dos Stones vendeu aos milhares nos Estados Unidos e na Inglaterra.

O sombrio country blues de Beggars Banquet se tornou a marca registrada do grupo, que os Rolling Stones exploraram à exaustão nos três álbuns posteriores. Os quatro anos seguintes, até o lançamento de Exile On Main St., de 1972, ainda permanecem como sua época de ouro. (Robert Dimery)
____________________

01. Sympathy For The Devil (Jagger, Richards)
02. No Expectations (Jagger, Richards)
03. Dear Doctor (Jagger, Richards)
04. Parachute Woman (Jagger, Richards)
05. Jigsaw Puzzle (Jagger, Richards)
06. Street Fighting Man (Jagger, Richards)
07. Prodigal Son (Wilkins)
08. Stray Cat Blues (Jagger, Richards)
09. Factory Girl (Jagger, Richards)
10. Salt Of The Earth (Jagger, Richards)
____________________

The Velvet Underground | The Velvet Underground & Nico (1967)

Poucos discos conseguiram fazer um contraponto sombrio ao otimismo vigente na Costa Oeste nos anos 60 como este.

O som arranha, tem pouca nitidez — o que não é uma surpresa, já que o disco foi praticamente todo gravado numa única sessão de oito horas de duração em Nova York, por cerca de US$ 2 mil. As letras repletas de sabedoria de rua de Lou Reed apresentam um perturbador submundo ao rock n' roll: "Venus In Furs", uma sensual ode ao sadomasoquismo em que a sussurrante viola de John Cale golpeia e estala como um chicote; "Heroin", uma tomada de posição desarmante e amoral sobre drogas na qual a música se alterna entre a calma e um caótico desabafo mental. Mas o Velvet também sabia fazer canções bonitas e encantadoras — repare no tilintar da caixa de música em "Sunday Morning". "All Tomorrow Parties" era a música favorita de Andy Warhol, um retrato da elite e dos fracassados que passavam pela sede da Factory em Nova York.

A objetividade com que o disco tratava de sexo e drogas fez com que fosse banido das rádios de Nova York; as estações no resto dos Estados Unidos simplesmente o ignoravam. Os críticos odiaram o álbum e muitos achavam que era apenas um trote elaborado de Warhol (ele é o responsável pela capa que mostra uma simbólica banana pronta para ser descascada); a revista Rolling Stone sequer resenhou o disco. E praticamente ninguém o comprou na época. Mas, como Brian Eno comentou certa vez, quem o comprou acabou montando uma banda. Grupos new wave como Joy Division, Talking Heads e Television devem muito ao aguçado minimalismo do Velvet; o rosnar de Lou Reed inspirou um bando de vocalistas punk, enquanto os delírios sonoros do grupo foram revisitados por bandas como The Jesus And Mary Chain, que também roubou do Velvet o visual couro-preto-e-óculos-escuros. (Robert Dimery)
____________________

01. Sunday Morning (Reed, Cale)
02. I'm Waiting For The Man (Reed)
03. Femme Fatale (Reed)
04. Venus In Furs (Reed)
05. Run Run Run (Reed)
06. All Tomorrow's Parties (Reed)
07. Heroin (Reed)
08. There She Goes Again (Reed)
09. I'll Be Your Mirror (Reed)
10. The Black Angel's Death Song (Reed, Cale)
11. European Son (Reed, Cale, Tucker, Morrison)
____________________

David Bowie | The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars (1972)

Com The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, David Bowie redefiniu o conceito masculino de estrela do rock. A capa mostra o cantor como um ser andrógino, magro, de cabelo curto, num beco lavado pela chuva (embora, no estúdio, ele ainda usasse as longas madeixas da época do álbum Hunky Dory). Com a guitarra pendurada no pescoço, ele parece um alienígena enviado ao insípido planeta Terra para trazer o rock n' roll (tirada na Heddon Street, em Londres, a foto originalmente em preto-e-branco foi colorizada, para ficar com o visual dos quadrinhos de ficção científica dos anos 50).

The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars é o único disco de glam rock que resistiu à passagem do tempo. Os riffs e os solos arrojados do guitarrista Mick Robinson — arrepiantes em "Moonage Daydream", "Suffragette City" e na faixa-título — ajudaram a definir o som glam. Os vocais de Bowie mudam a cada canção — às vezes reflexivos, às vezes refinados, desesperados ou extasiados. The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars contém altas doses de ambigüidade sexual e imagens espaciais, mas o álbum está ancorado numa música sólida e em arranjos cuidadosos e bem elaborados.

O LP pode ter, na época, soado como um lampejo do futuro. Ao assumir o papel de um inquieto outsider do rock n' roll, Bowie se conectou, ao mesmo tempo, aos adolescentes e aos críticos (a Rolling Stone deu ao álbum "nota 99, de 1 a 100"). A Inglaterra e os Estados Unidos se apaixonaram por Ziggy — assim como os punks e os New Romantics, mais adiante, que se identificaram com a ambigüidade sexual do personagem e sua aparência extravagante. (Robert Dimery)
____________________

01. Five Years (Bowie)
02. Soul Love (Bowie)
03. Moonage Daydream (Bowie)
04. Starman (Bowie)
05. It Ain't Easy (Bowie)
06. Lady Stardust (Bowie)
07. Star (Bowie)
08. Hang On To Yourself (Bowie)
09. Ziggy Stardust (Bowie)
10. Suffragette City (Bowie)
11. Rock 'N' Roll Suicide (Bowie)
____________________