Mostrando postagens classificadas por data para a consulta miles keylock. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta miles keylock. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

Devendra Banhart | Rejoicing In The Hands (2004)

Depois de sua estréia — um maravilhoso disco lo-fi chamado Oh Me Oh My (2002) —, os críticos não tardaram em rotular Devendra Banhart como porta-voz de uma revolução no indie folk. Em vez de aceitar o rótulo de sábio da música "alternativa", em Rejoicing In The Hands, Devendra Banhart se esquiva elegantemente do fator celebridade, usando um repertório menos conhecido e ainda mais rústico. É certo que o compêndio de bluegrass, country e ecos de música folk britânica se mantém intacto, mas dessa vez leva a sua perversidade polimorfa para muito além do revisionismo reverencial, alcançando uma originalidade quase sobrenatural.

Na verdade, Banhart é impossível de decodificar usando os códigos normais do velho folk. Mesmo as tentativas de descrever as melodias de um violão estranhamente afinado em "Poughkeepsie" como uma revisão vanguardista e psicodélica da Anthology Of American Folk Music (1952), de Harry Smith, ou o sussurro de canção infantil em "The Body Breaks" como uma ressurreição fantasmagórica do Marc Bolan da época do T. Rex acabam sendo redundantes. A única coisa que o ouvinte pode recorrer são as cifras líricas, que oscilam entre a extravagante "Jabberwocky" e poemas com toque de Rimbaud sob os efeitos de LSD — nem sequer os títulos das músicas oferecem uma ajuda no campo semiótico. É inútil tentar entender nomes abusivamente estranhos como "Tit Smoking In The Temple Of Artesan Mimicry"! Talvez "This Beard Is For Siobhán" não seja mais do que um simples improviso. E é aí que está o golpe de mestre de Banhart: soa como se ele não se importasse se alguém está ouvindo ou não. (Miles Keylock)
____________________

01. This Is The Way (Banhart)
02. A Sight To Behold (Banhart)
03. The Body Breaks (Banhart)
04. Poughkeepsie (Banhart)
05. Dogs They Make Up The Dark (Banhart)
06. Will Is My Friend (Banhart)
07. This Beard Is For Siobhán (Banhart)
08. See Saw (Banhart)
09. Tit Smoking In The Temple Of Artesan Mimicry (Banhart)
10. Rejoicing In The Hands (Banhart)
11. Fall (Banhart)
12. Todo Los Dolores (Banhart)
13. When The Sun Shone On Vetiver (Banhart)
14. There Was Sun (Banhart)
15. Insect Eyes (Banhart)
16. Autumn's Child (Banhart)
____________________

John Zorn | Spy Vs. Spy: The Music Of Ornette Coleman (1989)

Sendo muito mais uma desconstrução radical das músicas de Ornette Coleman do que uma homenagem "ao estilo de", Spy Vs. Spy estabeleceu John Zorn como um mestre inigualável da improvisação "incansavelmente violenta". Assim como Ornette Coleman, para Zorn a improvisação coletiva era mais importante que a individual. Tendo essa missão em mente, o saxofonista alto e o seu grupo badalado de jovens colaboradores nova-iorquinos foram abalar as fundações do jazz para criar o seu próprio "Shape Of Jazz To Come" (nome de um disco famoso de Coleman).

Isso é jazz vulcânico em forma de jogo com saxofones trocando golpes inarmônicos em canais estéreo distintos (Zorn à direita contra Tim Berne à esquerda) sobre uma panóplia de baterias duelando (Joey Baron contra Michael Vatcher) e dissonâncias de baixo (Mark Dresser). Uma peça criada para alienar propositalmente os puristas bajuladores do jazz? Talvez, mas depois de implodir a pirotecnia das inúmeras mudanças de acordes características do bebop em "Word For Bird", um thrash-jazz minimalista, o grupo vai misturar blues, swing, freejazz e as infames teorias "harmolódicas" de Ornette para criar algo completamente diferente. "Rejoicing" e "Peace Warriors" chocam e deixam estupefatos os ouvintes que devem decodificar freqüências tonais que até então só tinham sido ouvidas em speed metal ou nas colagens de quadrinhos que Carl Stalling compunha.

Os quadrinhos reaparecem na capa assinada por Mark Beyer, que faz um jogo divertido com a forte tendência contra o establishment do jazz que existe no disco. Bem-vindos ao jazz para a geração pós-punk. Como o próprio Zorn diz no texto de apresentação: "O hardcore é quem manda". (Miles Keylock)
____________________

01. WRU (Coleman)
02. Chronology (Coleman)
03. Word For Bird (Coleman)
04. Good Old Days (Coleman)
05. The Disguise (Coleman)
06. Enfant (Coleman)
07. Rejoicing (Coleman)
08. Blues Connotation (Coleman)
09. C And D (Coleman)
10. Chippie (Coleman)
11. Peace Warriors (Coleman)
12. Ecars (Coleman)
13. Feet Music (Coleman)
14. Broadway Blues (Coleman)
15. Space Church (Coleman)
16. Zig Zag (Coleman)
17. Mob Job (Coleman)
____________________