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Television | Marquee Moon (1977)

Dentre as principais bandas do mundo punk criado no clube nova-iorquino CBGB's, o Television foi a que teve menos sucesso comercial. No entanto, seu melhor momento, o álbum Marquee Moon, foi tão bom, ou melhor, quanto os trabalhos seminais de alguns de seus contemporâneos, como Horses, de Patti Smith (os dois traziam uma fotografia de Mapplethorpe na capa) e o disco de estréia dos Talking Heads.

Depois de bater na porta de várias gravadoras, o Television assinou contrato com a Elektra, em 1976. A banda estava sem seu baixista original, Richard Hell, que havia deixado o grupo para formar os Heartbreakers, com Johnny Thunders. O baixista Fred Smith era um substituto à altura, mas sua maior contribuição foi apresentar Tom Verlaine a Andy Johns (irmão de Glyn Johns), que tinha experiência suficiente para não arremedar o indefinido som jazz-punk desenvolvido no CBGB's.

O resultado foi um inigualável disco à base de guitarras. Dando as costas para o som blueseiro que dominava a guitarra desde o rock dos anos 60, o Television criou um trabalho que, a seu jeito, é tão radical quanto o melhor do Led Zeppelin. O álbum começa com a agitada "See No Evil", na qual Verlaine e Richard levam suas guitarras ardentes a uma celebração crescente da poluição urbana e da cultura das ruas. A faixa-título, de 11 minutos, pode levar alguém a comparar o grupo com as bandas hippies, mas não há flower power — só power — em "Prove It" e "Guiding Light".

Marquee Moon teve uma recepção indiferente por parte do público, mas foi aclamado pelos críticos, incluindo Nick Kent, da NME, que, entusiasmado, escreveu que "as canções estão entre as melhores de todos os tempos". (Jim Harrington)
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01. See No Evil (Verlaine)
02. Venus (Verlaine)
03. Friction (Verlaine)
04. Marquee Moon (Verlaine)
05. Elevation (Verlaine)
06. Guiding Light (Verlaine, Lloyd)
07. Prove It (Verlaine)
08. Torn Curtain (Verlaine)
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Bob Dylan | Highway 61 Revisited (1965)

Desde a estréia da revolucionária Sagração Da Primavera, de Stravinsky, que em 1913 provocou um motim no Théâtre des Champs-Elysées, em Paris, uma transformação musical não causava tanta controvérsia quanto a suscitada por Bob Dylan ao ligar sua guitarra no Festival Folk de Newport, em 25 de julho de 1965. Mas as chacotas dos puristas logo cessariam em meio ao entusiasmo com que o público recebeu Highway 61 Revisited, lançado um mês depois.

Ao se transformar de um cantor acústico de folk em um roqueiro empunhando uma guitarra elétrica, um processo iniciado no lado A de Bringing It All Back Home, de 1965, Dylan reescreveu o manual da música pop. Uma canção de sucesso como "Like A Rolling Stone", um hino banhado pelo órgão, não precisava seguir o padrão de três minutos de duração (apenas duas das nove faixas do álbum têm menos de quatro minutos; a vigorosa música final, "Desolation Row", ultrapassa 11 minutos).

Com canções trabalhadas e poéticas como "Just Like Tom Thumb's Blues", que acabou com o foco tradicional nos refrões fáceis, Highway 61 Revisited funciona melhor quando ouvido sem a preocupação de enteder todas as referências. Não é preciso usar um guia literário para apreciar a adrenalina pura de "Tombstone Blues" e "From A Buick 6", e, afinal, essa foi a principal razão pela qual Dylan tomou o rumo do rock n' roll. (Jim Harrington)
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01. Like A Rolling Stone
(Dylan)
02. Tombstone Blues (Dylan)
03. It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry (Dylan)
04. From A Buick 6 (Dylan)
05. Ballad Of A Thin Man (Dylan)
06. Queen Jane Approximately (Dylan)
07. Highway 61 Revisited (Dylan)
08. Just Like Tom Thumb's Blues (Dylan)
09. Desolation Row (Dylan)
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Drive Like Jehu | Yank Crime (1994)

O grande mestre do punk rock de San Diego, John "Speedo" Reis, foi o responsável por inúmeros clássicos que passaram completamente despercebidos na década passada. A sua banda mais conhecida — Rocket From The Crypt, com seu estilo punkabilly e vestígios de soul — conseguiu um pequeno vislumbre do mainstream em meados de 1990 e ainda mantém fãs devotos e cheios de tatuagens em todo o planeta. Drive Like Jehu, que funcionava em paralelo ao Rocket From The Crypt, não é muito conhecido fora do circuito punk underground, mas este segundo e último trabalho é um rock inovador e abrasivo que ainda hoje consegue deixar o sangue em ebulição.

O desenho tosco e monocromático da capa de Yank Crime foi feito pelo guitarrista e principal "gritador" Rick Froberg. Lembra as famosas capas criadas por Raymond Pettibon para o Black Flag e diz muito sobre a música que está lá dentro. A fusão feita pelo Fugazi de hardcore extremo com uma dinâmica imprevisível é uma referência óbvia, assim como o Wipers, grupo que Reis admirava e uma das grandes bandas esquecidas de art punk dos anos 80, cuja maneira de entrelaçar as linhas de guitarra está presente em Yank Crime. Isso tudo se traduz nos ruídos de guitarra em "Here Come The Rome Plows" e "Golden Brown" (que não tem relação alguma com a música do Stranglers) e nas repetições arrastadas e retorcidas de "Luau".

Reis afirmou mais tarde que este álbum foi bem difícil de produzir, em parte devido ao esforço para ajustar suas complexas reviravoltas e mudanças. Drive Like Jehu se dissolveu como resultado disso. Reis e Froberg atualmente lideram o grupo ainda mais irado Hot Snakes e a dupla continua trabalhando para a evolução gradual do punk. Este disco é uma visão imperdível do momento em que deram um de seus maiores passos. (Jim Harrington)
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01. Here Come The Rome Plows (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
02. Do You Compute (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
03. Golden Brown (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
04. Luau (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
05. Super Unison (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
06. New Intro (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
07. New Math (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
08. Human Interest (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
09. Sinews (Froberg, Reis, Kennedy, Trombino)
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The Streets | A Grand Don't Come For Free (2004)

Metade das músicas de hip-hop é baseada em resmungos: pouco respeito, poucas jóias, armas demais, ódio demais. Contudo, poucos artistas protestaram tão engenhosamente sobre as coisas do dia-a-dia que realmente nos incomodam quanto Mike Skinner. No seu segundo álbum com o The Streets (após Original Pirate Material, sua estréia indicada para os prêmios Brit e Mercury), o rapper não tenta provar que é mais macho do que 50 Cent. Ele quer apenas devolver um DVD, retirar dinheiro de um caixa eletrônico e falar ao celular antes que acabe a bateria. Mais cotidiano impossível.

"It was supposed to be so easy" ("Era para ser tão fácil"), queixa-se Skinner na primeira faixa ao narrar aquela que é, provavelmente, a crônica mais hilária e sincera da história do hip-hop sobre a vida nos subúrbios. Pense em Quadrophenia misturada com Ulysses, num cenário contemporâneo da West Midlands da Inglaterra, e você terá uma idéia aproximada do relato. Trata-se de um disco conceitual — com um elenco peculiar de bêbados, jogadores e figuras estranhas da vizinhança — que descreve um arco narrativo através de conflitos menores, ainda que dramáticos, e consegue chegar a uma conclusão em menos de 51 minutos.

Apresentando uma abordagem diferente da maioria dos seus companheiros de gênero, Skinner mantém a produção simples e segura. É o acompanhamento perfeito para seus versos meio cantados, meio rap. Sua inteligência e seu gosto pelo humor ficam evidentes na faixa "It Was Supposed To Be So Easy", enquanto que em "Not Addicted" o rapper acaba assumindo sua total incapacidade para apostar dinheiro. Skinner é igualmente eficaz nas músicas sentimentais, exibindo uma sensibilidade terna nas baladas "Could Well Be In" e "Dry Your Eyes". (Jim Harrington)
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01. It Was Supposed To Be So Easy (Skinner)
02. Could Well Be In (Skinner)
03. Not Addicted (Skinner)
04. Blinded By The Lights (Skinner)
05. Wouldn't Have It Any Other Way (Skinner)
06. Get Out Of My House (Skinner)
07. Fit But You Know It (Skinner)
08. Such A Twat (Skinner)
09. What Is He Thinking (Skinner)
10. Dry Your Eyes (Skinner)
11. Empty Cans (Skinner)
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The Beatles | The Beatles (1968)

Os Beatles se separaram oficialmente em 1970, mas os Fab Four já há alguns anos não funcionavam como uma banda de verdade. O processo começou em Rubber Soul e foi detonado à medida que John, Paul, George e Ringo resolveram tomar diferentes rumos por discordâncias criativas, filosofias religiosas, drogas e, o motivo mais famoso, a presença de Yoko Ono. Em meio a essa disputa, os Beatles fizeram The Beatles, uma obra-prima épica que se equipara a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, ainda que a origem de seu sucesso esteja mais nos talentos e personalidades dos integrantes do grupo do que em sua colaboração.

O álbum começa com um rugido e o barulho de um avião decolando — é o rock de "Back In The USSR", uma paródia da fórmula dos Beach Boys. O disco mistura baladas acústicas imcomparáveis como "Dear Prudence" e "Mother Nature's Son" e peças cômicas como "Ob-La-Di, Ob-La-Da" e "Rocky Raccoon". Lennon e McCartney — uma dupla de compositores mais nos créditos do que na prática — produziram alguns de seus trabalhos mais duradouros com "Blackbird" e "Revolution 1", enquanto a surrealista "Happiness Is A Warm Gun", de Lennon, é uma minissuíte. No entanto, a música que mais se destaca é "While My Guitar Gently Weeps", de Harrison.

Era um disco confuso, portanto, mas vendeu dois milhões de cópias na primeira semana apenas nos Estados Unidos. (Jim Harrington)
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Disco I

01. Back In The U.S.S.R. (Lennon, McCartney)
02. Dear Prudence (Lennon, McCartney)
03. Glass Onion (Lennon, McCartney)
04. Ob-La-Di, Ob-La-Da (Lennon, McCartney)
05. Wild Honey Pie (Lennon, McCartney)
06. The Continuing Story Of Bungalow Bill (Lennon, McCartney)
07. While My Guitar Gently Weeps (Harrison)
08. Happiness Is A Warm Gun (Lennon, McCartney)
09. Martha My Dear (Lennon, McCartney)
10. I'm So Tired (Lennon, McCartney)
11. Blackbird (Lennon, McCartney)
12. Piggies (Harrison)
13. Rocky Raccoon (Lennon, McCartney)
14. Don't Pass Me By (Starr)
15. Why Don't We Do It In The Road? (Lennon, McCartney)
16. I Will (Lennon, McCartney)
17. Julia (Lennon, McCartney)

Disco II

01. Birthday (Lennon, McCartney)
02. Yer Blues (Lennon, McCartney)
03. Mother Nature's Son (Lennon, McCartney)
04. Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Lennon, McCartney)
05. Sexy Sadie (Lennon, McCartney)
06. Helter Skelter (Lennon, McCartney)
07. Long, Long, Long (Harrison)
08. Revolution 1 (Lennon, McCartney)
09. Honey Pie (Lennon, McCartney)
10. Savoy Truffle (Harrison)
11. Cry Baby Cry (Lennon, McCartney)
12. Revolution 9 (Lennon, McCartney)
13. Good Night (Lennon, McCartney)
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