Bob Dylan | Highway 61 Revisited (1965)

Desde a estréia da revolucionária Sagração Da Primavera, de Stravinsky, que em 1913 provocou um motim no Théâtre des Champs-Elysées, em Paris, uma transformação musical não causava tanta controvérsia quanto a suscitada por Bob Dylan ao ligar sua guitarra no Festival Folk de Newport, em 25 de julho de 1965. Mas as chacotas dos puristas logo cessariam em meio ao entusiasmo com que o público recebeu Highway 61 Revisited, lançado um mês depois.

Ao se transformar de um cantor acústico de folk em um roqueiro empunhando uma guitarra elétrica, um processo iniciado no lado A de Bringing It All Back Home, de 1965, Dylan reescreveu o manual da música pop. Uma canção de sucesso como "Like A Rolling Stone", um hino banhado pelo órgão, não precisava seguir o padrão de três minutos de duração (apenas duas das nove faixas do álbum têm menos de quatro minutos; a vigorosa música final, "Desolation Row", ultrapassa 11 minutos).

Com canções trabalhadas e poéticas como "Just Like Tom Thumb's Blues", que acabou com o foco tradicional nos refrões fáceis, Highway 61 Revisited funciona melhor quando ouvido sem a preocupação de enteder todas as referências. Não é preciso usar um guia literário para apreciar a adrenalina pura de "Tombstone Blues" e "From A Buick 6", e, afinal, essa foi a principal razão pela qual Dylan tomou o rumo do rock n' roll. (Jim Harrington)
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01. Like A Rolling Stone
(Dylan)
02. Tombstone Blues (Dylan)
03. It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry (Dylan)
04. From A Buick 6 (Dylan)
05. Ballad Of A Thin Man (Dylan)
06. Queen Jane Approximately (Dylan)
07. Highway 61 Revisited (Dylan)
08. Just Like Tom Thumb's Blues (Dylan)
09. Desolation Row (Dylan)
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Einstürzende Neubauten | Kollaps (1981)

Formado em Berlim, em 1980, pelo vocalista Blixa Bargeld e o percussionista Andrew Chudy, Einstürzende Neubauten ("Edifícios novos desmoronando") seguiu o terreno aberto pelos terroristas sonoros do Throbbing Gristle e o Faust. O grupo explorava sua obsessão pela destruição usando sucata e ferramentas elétricas junto com a guitarra radicalmente distorcida de Bargeld. Seus primeiros discos foram concebidos num alçapão de manutenção sob uma auto-estrada em Berlim. Convidaram Stuart "F.M." Einheit, da banda punk Abwärts, de Hamburgo, para gravar "o disco mais 'inescutável' da história".

Começando com o som de um toca-discos quebrado, o folk mutante de "Tanz Debil" usa uma percussão inovadora executada com tubos de metal. A devastação de furadeiras e vidro se quebrando sobre folhas de metal em "Steh Auf Berlin" associa imagens de um carnaval pós-apocalíptico. As imagens de pesadelo continuam com os gritos torturados de Bargeld interrompendo as águas calmas e a guitarra de "Negativ Nein" e o ambiente cruel e mecânico de "U-Haft-Muzak". "Hören Mit Schmerzen" ("Ouça com dor") deixa clara a ideologia da banda. O grande momento do disco, contudo, é a faixa-título, cujo ritmo lento e nefasto, conjugado a efeitos explosivos, pinta uma visão terrível do fim do mundo. (Chris Shade)
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01. Tanz Debil (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
02. Steh Auf Berlin (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
03. Negativ Nein (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
04. U-Haft-Muzak (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
05. Draußen Ist Feindlich (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
06. Schmerzen Hören (Hören Mit Schmerzen) (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
07. Jet'M (Gainsbourg)
08. Kollaps (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
09. Sehnsucht (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
10. Vorm Krieg (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
11. Hirnsäge (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
12. Abstieg & Zerfall (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
13. Helga (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
14. Schieß Euch Ins Blut (Bargeld, Chudy, Einheit, Hacke)
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Arcade Fire | Funeral (2004)

Durante boa parte de 2003, o rótulo "emo" foi um jeito popular de descrever um restilo peculiar de rock pesado. É evidente que a raiz etimológica do termo provém de "emocional". O álbum de estréia do Arcade Fire demonstra por si só que este subgênero é uma invenção pretenciosa e emocionalmente ignorante. Nesse ano, Win Butler e Régine Chassagne, parceiros na música e no amor, formaram um grupo de rock independente em Montreal para fazerem experiências com estilos, desde a bossa nova até o Krautrock. Seus esforços se intensificaram após a morte da avó de Chassagne e do avô de Butler — Alvino Rey, o compositor de ragtime — com poucos meses de intervalo.

O álbum resultante é uma história impregnada de realismo mágico em que jovens amantes tentam fugir das lembranças de suas famílias, tendo como pano de fundo ambiciosas seções de cordas. "Neighborhood #1 (Tunnels)" fala sobre a fuga dos protagonistas das casa de suas respectivas famílias para se encontrarem e, assim, escaparem do sofrimento de seus pais. Mais três músicas após "Neighborhood" ajudam a construir uma complexa metáfora psicogeográfica sobre a perda e o amor de Butler e Chassagne. Mas não há nada de pós-moderno na serenata de "Crown Of Love", uma balada épica digna de Scott Walker. Apesar de tomar por empréstimo elementos de The Flaming Lips, Suede, Brian Eno e My Bloody Valentine, este álbum é ainda assim uma coisa rara: um disco novo de sonoridade completamente original. (John Doran)
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01. Neighborhood #1 (Tunnels) (Arcade Fire)
02. Neighborhood #2 (Laïka) (
Arcade Fire)
03. Une Année Sans Lumière (
Arcade Fire)
04. Neighborhood #3 (Power Out) (
Arcade Fire)
05. Neighborhood #4 (7 Kettles) (
Arcade Fire)
06. Crown Of Love (
Arcade Fire)
07. Wake Up (
Arcade Fire)
08. Haïti (
Arcade Fire)
09. Rebellion (Lies) (
Arcade Fire)
10. In The Backseat (
Arcade Fire)
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The Beatles | A Hard Day's Night (1964)

Para a maioria dos mortais, ter dois álbuns nos primeiros lugares das paradas de sucesso seria o ague da carreira, mas, para os Beatles, isso era apenas um aperitivo. Algumas semanas depois de Meet The Beatles e Second Album terem se sucedido como tops nos EUA, A Hard Day's Night liderava a lista.

A diferença? Pela primeira vez num disco dos Beatles, todas as faixas eram composições deles próprios. Embora creditadas a Lennon/McCartney, as músicas eram, na verdade, de Lennon, à exceção de três. Mas "And I Love Her", "Can't Buy Me Love" e "Things We Said Today", de McCartney, provam que qualidade não depende de quantidade (não por acaso, a jogada de gravar apenas canções originais era uma invenção de Buddy Holly, a quem Paul adorava). O álbum, porém, foi decepado para o lançamento nos EUA: "Anytime At All", "Things We Said Today", "When I Get Home", "You Can't Do That" e "I'll Be Back" foram substituídas por versões instrumentais, com arranjos de George Martin.

Desde o inconfundível toque da Rickenbacker de 12 cordas de Harrison na abertura da faixa-título, o álbum é uma lição de como tocar guitarra de forma simples, mas superlativa. Consciente dos deslizes cinematográficos cometidos por seu ídolo Elvis, Lennon insistiu para que o filme Os Reis Do Iê-Iê-Iê tivesse qualidade e fosse mais do que "uma obra pop de merda" e o álbum seguiu exatamente o mesmo padrão.

É verdade que há alegres músicas descartáveis como "I'm Happy Just To Dance With You" ou "Tell Me Why", mas o disco se equilibra com maravilhas como "And I Love Her" e "If I Fell". Enquanto isso, o rock de "A Hard Day's Night" e "Anytime At All" teve um impacto eletrizante em futuros heróis da guitarra como a banda The Byrds (e, no devido tempo, Tom Petty, um filhote dos Byrds) — e continuará fundamental enquanto existirem jovens arranhando o instrumento. (Bruno MacDonald)
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01. A Hard Day's Night (Lennon, McCartney)
02. I Should Have Known Better (Lennon, McCartney)
03. If I Fell (Lennon, McCartney)
04. I'm Happy Just To Dance With You (Lennon, McCartney)
05. And I Love Her (Lennon, McCartney)
06. Tell Me Why (Lennon, McCartney)
07. Can't Buy Me Love (Lennon, McCartney)
08. Any Time At All (Lennon, McCartney)
09. I'll Cry Instead (Lennon, McCartney)
10. Things We Said Today (Lennon, McCartney)
11. When I Get Home (Lennon, McCartney)
12. You Can't Do That (Lennon, McCartney)
13. I'll Be Back (Lennon, McCartney)
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The Beatles | With The Beatles (1963)

Primeiro álbum a vender um milhão de cópias na Grã-Bretanha, With The Beatles cimentou a posição inexpugnável dos Beatles no topo das paradas britânicas. Gravado em seis dias entre julho e outubro de 1963, este é um disco que captura a alma ardente de Liverpool de forma brilhante e sem deixar margem a dúvidas. Embora ainda fosse, fundamentalmente, uma seleção de números ao vivo e canções escritas às pressas, o álbum revelou a confiança depositada pela EMI em seu talento, já que nenhuma faixa foi lançada em single — o que era inédito, na época.

A influência da Motown, em particular, é percebida na escolha das versões. A harmonia de George Harrison e John Lennon em "You Really Got A Hold On Me", dos The Miracles, é, sem dúvida, a maior homenagem prestada pelo grupo, e a voz furiosa de Lennon em "Money", de Barrett Strong, é de tirar o fôlego. Das músicas compostas pelos Beatles, "Little Child" e "It Won't Be Long" marcam a linha frenética do primeiro álbum, enquanto "All My Loving" é o primeiro clássico de Paul McCartney. No entanto, um momento particularmente mais introspectivo rouba o disco: embora ausente das antologias dos Beatles, "All I've Got To Do" é uma de suas músicas mais intimistas — expondo Lennon em seu melhor estilo direto e cru.

A foto da capa, tirada por Robert Freeman no Bournemouth's Palace Court Hotel em agosto de 1963, é a mais simbólica do grupo e uma das imagens mais características dos anos 60.

With The Beatles teve uma recepção calorosa do público e permanece delicioso e vivo. Com a mesma capa e apenas oito faixas, o disco foi lançado nos Estados Unidos como Meet The Beatles, a estréia da banda no país. Os Beatles estavam a um passo de dominar o mundo. (Daryl Easlea)
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01. It Won't Be Long (Lennon, McCartney)
02. All I've Got To Do (Lennon, McCartney)
03. All My Loving (Lennon, McCartney)
04. Don't Bother Me (Harrison)
05. Little Child (Lennon, McCartney)
06. Till There Was You (Willson)
07. Please Mister Postman (Dobbins, Garrett, Gorman, Holland, Bateman)
08. Roll Over Beethoven (Berry)
09. Hold Me Tight (Lennon, McCartney)
10. You Really Got A Hold On Me (Robinson)
11. I Wanna Be Your Man (Lennon, McCartney)
12. Devil In Her Heart (Drapkin)
13. Not A Second Time (Lennon, McCartney)
14. Money (Bradford, Gordy)
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Radiohead | Kid A (2000)

Depois de OK Computer, de 1997, tornou-se comum afirmar que o Radiohead era uma das melhores bandas da Inglaterra. No entanto, Kid A, gravado três anos depois, gerou muita controvérsia. Os críticos queriam saber onde estavam as guitarras e por que Thom Yorke parecia estar cantando dentro de uma banheira.

O Radiohead criou um álbum mais focado no som e nas texturas do que na simples dinâmica entre volumes altos e baixos — e menos ainda em estruturas convencionais para as músicas. Cliques, baterias eletrônicas e teclados seqüenciados servem de base para o falsete de Yorke em "Everything In Its Right Place" e na sombria "Morning Bell". Um baixo lúgubre pontua "The National Anthem", combinando a bateria de Phil Selway com um naipe de sopros para criar um final apocalíptico. Os belos violões de "How To Disappear Completely" são sobrepostos a uma seção de cordas atonal que acentua o niilismo de Yorke quando canta "I'm not here/this isn't happening" ("Eu não estou aqui/isto não está acontecendo").

O guitarrista Jonny Greenwood compôs grande parte dos arranjos de cordas e fez um uso fantástico do Ondes Martenot, um instrumento eletrônico dos anos 20 (famoso por ter sido usado no tema da série original Star Trek — Jornada Nas Estrelas). Baterias eletrônicas criam a base para a arrebatadora "Idioteque". "Motion Picture Soundtrack" encerra o álbum com um órgão cujo som lembra músicas de funerais.

Kid A conquistou um Grammy e alcançou os primeiros lugares das paradas em ambos os lados do Atlântico (apesar de ter sido disponibilizado gratuitamente na internet semanas antes do lançamento oficial). Foi o álbum que fez o Radiohead estourar nos Estados Unidos. (Ali MacQueen)
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01. Everything In Its Right Place (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
02. Kid A (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
03. The National Anthem (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
04. How To Disappear Completely (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
05. Treefingers (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
06. Optimistic (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
07. In Limbo (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
08. Idioteque (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway, Lansky)
09. Morning Bell (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
10. Motion Picture Soundtrack (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
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Radiohead | OK Computer (1997)

Misturar The Smiths e Queen é sinônimo de demência. Por sorte, as influências idiossincráticas do Radiohead estavam à altura de seu talento e o seu terceiro álbum foi ainda mais longe que o seu espetacular antecessor, The Bends.

O sucesso que os acompanhava desde o sucesso do single "Creep" não tornou seu líder, Thom Yorke, um homem feliz. A música mais alegre do álbum, "Airbag", fala da "emoção maravilhosa e positiva que você sente quando acaba de se safar de um acidente".

Em outras faixas ele solta sua raiva contra "negócios e babaquices" ("Electioneering"), contra "estar encurralado" ("Let Down") e contra "o monstro do armário" ("Climbing Up The Walls"). A mais vívida é "Paranoid Android", cujo título vem do livro O Mochileiro Das Galáxias, de Douglas Adams: a letra, inspirada no jet-set enlouquecido pela cocaína, é uma evocação pavorosa do "mais completo e absoluto caos".

A beleza da música suaviza o terror das letras. "Subterranean Homesick Alien" é adequadamente espacial. "No Surprises" é uma música delicada acompanhada por um carrilhão, e "Let Down" é tão adorável quanto seria de se esperar de uma música gravada numa sala de dança de Jane Seymor. "Lucky" e "The Tourist" têm um certo toque de Pink Floyd.

Há muitas surpresas sonoras: o loop de bateria inspirado no DJ Shadow na música "Airbag", a épica "Paranoid Android" no estilo de "Happiness Is A Warm Gun" e "Fitter Happier", remetendo a Stephen Hawking (na verdade, um computador Apple programado por Yorke).

OK Computer chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e na Inglaterra em segundo a banda, teve uma recepção "exagerada". Ainda assim, continua sendo fascinante de se ouvir, como em 1997. (Bruno MacDonald)
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01. Airbag (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
02. Paranoid Android (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
03. Subterranean Homesick Alien (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
04. Exit Music (For A Film) (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
05. Let Down (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
06. Karma Police (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
07. Fitter Happier (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
08. Electioneering (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
09. Climbing Up The Walls (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
10. No Surprises (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
11. Lucky (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
12. The Tourist (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
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Radiohead | The Bends (1995)

É fato conhecido que o peso do sucesso de um único single pode destruir uma banda — é melhor repetir o mesmo e ser acusado de estar cedendo aos impulsos comerciais ou seguir seus ideais artísticos e arriscar-se a confundir os fãs? Livres do paralisante e claustrofóbico sucesso do single "Creep", que se tornou um clássico, o Radiohead decidiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

The Bends é sua obra-prima de rock. Ainda longe de explorar a fundo seu fascínio pela música eletrônica, o grupo construiu um punhado de músicas que tinham uma identidade provocante, porém frágil, e, mais importante, podiam fazer com que um estádio em peso dançasse ao som delas. Todas as músicas deste álbum merecem atenção — todas são suficientemente sólidas para que os músicos que tocam nas ruas queiram interpretá-las, acompanhados por um violão ou o mais próximo possível da versão original com uma banda inteira. "Bones", "Just" e "My Iron Lung" (um single gravado ao vivo, exceto pela voz) ainda hoje conseguem levantar multidões. Depois vinha o lado tranqüilo: o delicioso sarcasmo de "(Nice Dream)", a sonolenta "Bullet Proof..I Wish I Was" ou ainda a música que encerra o álbum com um toque falsamente hippie. "Immerse your soul in love" ("Afunde sua alma em amor") é o que Yorke diz numa das suas melhores interpretações até hoje. É impossível não concordar, entre abismado e admirado.

Visualmente falando, The Bends é uma confusão — a capa mostra uma imagem digitalmente manipulada de um boneco para prática médica de ressuscitamento. Possivelmente era um sinal daquilo que ainda estava por vir, porque os álbuns seguintes seriam ainda mais abstratos. Em 1995, pelo menos, o som do Radiohead era simplista, em comparação, e tinha um efeito devastador — o som de uma era de ouro. (Jack Kennedy)
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01. Planet Telex (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
02. The Bends (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
03. High And Dry (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
04. Fake Plastic Trees (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
05. Bones (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
06. (Nice Dream) (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
07. Just (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
08. My Iron Lung (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
09. Bullet Proof..I Wish I Was (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
10. Black Star (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
11. Sulk (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
12. Street Spirit (Fade Out) (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
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Thin Lizzy | Live And Dangerous (1978)

Na mesma época em que Israel retirou todos os seus soldados do Líbano, em junho de 1978, o Thin Lizzy usou todas as suas tropas para fazer um dos melhores álbuns ao vivo da história da música. Os retoques no disco despertaram rumores críticos: o empresário Chris O'Donnell garantiu que a gravação era "75% ao vivo" e que os overdubs foram usados para corrigir os excessos do baixo de Phil Lynott e os backing vocals dos guitarristas Scott Gorham e Brian Robertson. O produtor Tony Visconti disse à BBC Radio 1: "Apagamos tudo, menos a bateria (...) mesmo a platéia foi refeita, uma coisa um tanto desonesta (...) "Southbound" foi gravada durante uma passagem de som e acrescentei umas repetições de fitas com o barulho da platéia".

Os fãs não se incomodaram. O resultado é mágico e os temores da Vertigo em lançar um caro álbum duplo se mostraram infundados — vendeu 60 mil cópias na Inglaterra. Consta que foi gravado em Londres e Toronto, mas é, na verdade, uma coletânea de melhores momentos.

Rocks melódicos e poderosos trazem memoráveis riffs e refrões, temperados por momentos comovedores. A enxurrada começa com "Jailbreak" e arrasta a furiosa "Emerald", a contagiante "Southbound" e a definitiva "Rosalie", até a deliciosa "Dancing In The Moonlight".

"Still In Love With You" é daquelas que a platéia acompanha acendendo os isqueiros; "Cowboy Song" é uma brincadeira com um fantástico efeito cascata; "Suicide", uma canção gloriosa que conta uma história. E há os hinos: "The Boys Are Back In Town" e "The Rocker".

Como atestou a NME, "é uma carta de intenções quase perfeita do melhor hard rock da melhor banda de rock do mundo". (Tim Jones)
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01. Jailbreak (Lynott)
02. Emerald (Lynott, Downey, Gorham, Robertson)
03. Southbound (Lynott)
04. Rosalie/Cowgirl's Song (Seger/Lynott, Downey)
05. Dancing In The Moonlight (It's Caught Me In Its Spotlight) (Lynott)
06. Massacre (Lynott, Downey, Gorham)
07. Still In Love With You (Lynott)
08. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Lynott, Downey, Gorham)
09. Cowboy Song (Lynott, Downey)
10. The Boys Are Back In Town (Lynott)
11. Don't Believe A Word (Lynott)
12. Warrior (Lynott, Gorham)
13. Are You Ready (Lynott, Downey, Gorham, Robertson)
14. Suicide (Lynott)
15. Sha La La (Lynott, Downey)
16. Baby Drives Me Crazy (Lynott, Downey, Gorham, Robertson)
17. The Rocker (Lynott, Downey, Bell)
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Metallica | S&M (1999)

Em novembro de 1999, Berlim celebrou o décimo aniversário da queda do Muro, e o Metallica lançou uma ode orquestral à alegria. O seu nono álbum capta a banda tocando ao vivo com a orquestra sinfônica de São Francisco.

A fusão entre o rock e a música clássica é antiga, voltando no tempo a horrores como Concerto For Group And Orchestra, de uma das bandas favoritas de Lars Ulrich, o Deep Purple. O Metallica já tinha provado que conseguia fazer a fusão com elegância: no álbum de 1991, tanto "Nothing Else Matters" quanto "The Unforgiven" possuíam acompanhamento orquestral dirigido pelo maestro Michael Kamen, que havia trabalhado com Eric Clapton e o Pink Floyd. Após anos de esforços, Kamen convenceu os metaleiros a fazerem uma parceria com ele. "Ele queria ser um pouco mais ousado" — declarou James Hetfield. "Por isso nos escolheu. Podia ter escolhido uma banda mais radical — como os Graveworm —, mas acho que fomos uma boa escolha. Respondemos: por que não?".

Essa abordagem positiva funcionou bem em Symphony & Metallica. Podemos encontrar clássicos como a exuberante "The Call Of Ktulu" ou a popular "Enter Sandman", além de músicas de Load e ReLoad.

Como ilustra o DVD lançado simultaneamente, todos ficaram felizes com a colaboração — os músicos orquestrais adicionaram contrapontos góticos e cinematográficos à música elétrica, em todos os sentidos, da banda. A grandiosa parceria alcança o seu ponto alto em "Fuel", "No Leaf Clover" (uma das duas únicas canções inéditas, a outra sendo "- Human") e no épico "One" — a reação do público foi de puro êxtase. Clássico, de fato! (Tim Jones)
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Disco I

01. The Ecstasy Of Gold (Morricone)
02. The Call Of The Ktulu (Hetfield, Ulrich, Burton, Mustaine)
03. Master Of Puppets (Hetfield, Ulrich, Burton, Hammett)
04. Of Wolf And Man (Hetfield, Ulrich, Hammett)
05. The Thing That Should Not Be (Hetfield, Ulrich, Hammett)
06. Fuel (Hetfield, Ulrich, Hammett)
07. The Memory Remains (Hetfield, Ulrich)
08. No Leaf Clover (Hetfield, Ulrich)
09. Hero Of The Day (Hetfield, Ulrich, Hammett)
10. Devil's Dance (Hetfield, Ulrich)
11. Bleeding Me (Hetfield, Ulrich, Hammett)

Disco II

01. Nothing Else Matters (Hetfield, Ulrich)
02. Until It Sleeps (Hetfield, Ulrich)
03. For Whom The Bell Tolls (Hetfield, Ulrich, Burton)
04. - Human (Hetfield, Ulrich)
05. Wherever I May Roam (Hetfield, Ulrich)
06. Outlaw Torn (Hetfield, Ulrich)
07. Sad But True (Hetfield, Ulrich)
08. One (Hetfield, Ulrich)
09. Enter Sandman (Hetfield, Ulrich, Hammett)
10. Battery (Hetfield, Ulrich)
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Beck | Sea Change (2002)

Após uma década de ritmos hip-hop encardidos e folk desgastado, Sea Change testemunhou um Beck farto de sua própria alternância incessante entre gêneros musicais. E como soava cansado. Sea Change foi lançado logo após o rompimento de Beck com a sua namorada Leigh Limon e também após sua conversão à Cientologia. O disco chafurdava na infelicidade, o que significava — salvo algumas explosões catárticas de barulho — que suas travessuras pós-modernas chegavam ao fim. enquanto Midnite Vultures (2000) era um espécie de trilha sonora para um filme nunca rodado dos Banana Splits, Sea Change se firma em canções simples, tristes, com uma objetividade rara para esse compositor freqüentemente obscuro.

Com o suporte de Roger Manning, Smokey Hormel, Joey Waronker e Justin Meldal-Johnsen, seguindo o modelo nada intrusivo de country rock (pense em Harvest) — é a voz acústica, delicada e ferida de Beck que impulsiona o álbum. Até o produtor Nigle Godrich, amante de equipamentos eletrônicos, limita-se a seguir em frente com o trabalho de diluir a dor de amor do pobre Beck em 12 faixas.

Alguns até sentiram falta do experimentalismo de Odelay e de Midnite Vultures. É bem verdade que as letras são pouco incisivas (em "End Of The Day", ele rima "before" com "before") e que a voz oscila entre cansada e clinicamente morta. Mas os arranjos orquestrais de tirar o fôlego em "Paper Tiger", "Lonesome Tears" e "Round The Bend", além das intensamente alegres/tristes "Sunday Sun", "Little One" e "Lost Cause", são de uma sinceridade e uma determinação que poucos imaginavam que Beck tivesse. (Bruno MacDonald)
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01. The Golden Age (Hansen)
02. Paper Tiger (Hansen)
03. Guess I'm Doing Fine (Hansen)
04. Lonesome Tears (Hansen)
05. Lost Cause (Hansen)
06. End Of The Day (Hansen)
07. It's All In Your Mind (Hansen)
08. Round The Bend (Hansen)
09. Already Dead (Hansen)
10. Sunday Sun (Hansen)
11. Little One (Hansen)
12. Side Of The Road (Hansen)
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Brian Wilson | SMiLE (2004)

Concebido inicialmente em 1966, SMiLE, de Brian Wilson, gozou da reputação de ser o Santo Graal do pop — um disco que insinuava uma visão de beleza e fragilidade impressionantes, a julgar pelas poucas canções que tinham sido divulgadas, especialmente a sinfonia pop de bolso "Good Vibrations". No entanto, seu caminho para as lojas de discos não parecia certo. Depois de um esgotamento nervoso causado pelo abuso de drogas, Wilson tentou atear fogo nas gravações originais do álbum. Porém, acabou guardando tudo, o que elevou o disco ao status de "mito".

Finalmente foi lançado em 2004, depois de ser regravado por Brian Wilson e uma talentosa banda de estúdio. SMiLE é uma alegre ode às harmonias ensolaradas do Beach Boys. O álbum começa com "Our Prayer", um hino a capela, antes de explodir na colisão colorida de "Heroes And Villains". "Surf's Up", uma comovente homenagem à juventude, dá lugar à rebelde "I'm In Great Shape" e à cômica "Vega-Tables". A voz de Wilson, mesmo que falhe ocasionalmente devido à idade, às doenças antigas e aos excessos do passado, é o instrumento mais versátil do disco. O homem que já esteve sentado numa caixa de areia para compor sinfonias adolescentes a Deus ccontemplou o abismo do seu próprio destino: com SMiLE, reconheceu o seu talento finalmente.

Recebido pela crítica mundial com uma aclamação quase unânime, SMiLE é uma espécie de modelo da visão original de Brian Wilson — "Good Vibrations", "Heroes And Villains" e "Cabin Essence" já haviam visto a luz do dia antes, como lançamentos clássicos do Beach Boys. (Burhan Wazir)
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01. Our Prayer/Gee (Wilson/Davis, Levy)
02. Heroes And Villains (Wilson, Parks)
03. Roll Plymouth Rock (Wilson, Parks)
04. Barnyard (Wilson, Parks)
05. Old Master Painter/You Are My Sunshine (Gillespie, Smith/Davis)
06. Cabin Essence (Wilson, Parks)
07. Wonderful (Wilson, Parks)
08. Song For Children (Wilson, Parks)
09. Child Is Father Of The Man (Wilson, Parks)
10. Surf's Up (Wilson, Parks)
11. I'm In Great Shape/I Wanna Be Around/Workshop (Wilson, Parks/Mercer, Vimmerstedt/Wilson)
12. Vega-Tables (Wilson, Parks)
13. On A Holiday (Wilson, Parks)
14. Wind Chimes (Wilson, Parks)
15. Mrs. O'Leary's Cow (Wilson)
16. In Blue Hawaii (Wilson, Parks)
17. Good Vibrations (Wilson, Asher, Love)
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Devendra Banhart | Rejoicing In The Hands (2004)

Depois de sua estréia — um maravilhoso disco lo-fi chamado Oh Me Oh My (2002) —, os críticos não tardaram em rotular Devendra Banhart como porta-voz de uma revolução no indie folk. Em vez de aceitar o rótulo de sábio da música "alternativa", em Rejoicing In The Hands, Devendra Banhart se esquiva elegantemente do fator celebridade, usando um repertório menos conhecido e ainda mais rústico. É certo que o compêndio de bluegrass, country e ecos de música folk britânica se mantém intacto, mas dessa vez leva a sua perversidade polimorfa para muito além do revisionismo reverencial, alcançando uma originalidade quase sobrenatural.

Na verdade, Banhart é impossível de decodificar usando os códigos normais do velho folk. Mesmo as tentativas de descrever as melodias de um violão estranhamente afinado em "Poughkeepsie" como uma revisão vanguardista e psicodélica da Anthology Of American Folk Music (1952), de Harry Smith, ou o sussurro de canção infantil em "The Body Breaks" como uma ressurreição fantasmagórica do Marc Bolan da época do T. Rex acabam sendo redundantes. A única coisa que o ouvinte pode recorrer são as cifras líricas, que oscilam entre a extravagante "Jabberwocky" e poemas com toque de Rimbaud sob os efeitos de LSD — nem sequer os títulos das músicas oferecem uma ajuda no campo semiótico. É inútil tentar entender nomes abusivamente estranhos como "Tit Smoking In The Temple Of Artesan Mimicry"! Talvez "This Beard Is For Siobhán" não seja mais do que um simples improviso. E é aí que está o golpe de mestre de Banhart: soa como se ele não se importasse se alguém está ouvindo ou não. (Miles Keylock)
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01. This Is The Way (Banhart)
02. A Sight To Behold (Banhart)
03. The Body Breaks (Banhart)
04. Poughkeepsie (Banhart)
05. Dogs They Make Up The Dark (Banhart)
06. Will Is My Friend (Banhart)
07. This Beard Is For Siobhán (Banhart)
08. See Saw (Banhart)
09. Tit Smoking In The Temple Of Artesan Mimicry (Banhart)
10. Rejoicing In The Hands (Banhart)
11. Fall (Banhart)
12. Todo Los Dolores (Banhart)
13. When The Sun Shone On Vetiver (Banhart)
14. There Was Sun (Banhart)
15. Insect Eyes (Banhart)
16. Autumn's Child (Banhart)
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Chico Buarque | Construção (1971)

Construção foi o quinto álbum de Chico Buarque para a Philips. É um trabalho que se tornou um clássico e um marco de referência desse cantor de importância maior na música brasileira e mundial. Quase todas as músicas que compõem este disco fizeram sucesso. Buarque aparece aqui num ambiente acústico. A orquestração do álbum foi influenciada por Rogério Duprat. Logo no início, o LP mergulha fundo nos ritmos tradicionais brasileiros, em canções que, implicitamente, criticam o regime político ditatorial do país ("Deus Lhe Pague" e a música-título, "Construção").

Como é comum na obra desse inigualável contador de histórias, ele realça os detalhes do dia-a-dia característicos e definidores das relações humanas (e da condição humana — como em "Ópera Do Malandro") em "Cotidiano", que fala da rotina da relação entre um homem e uma mulher. As três faixas seguintes, "Olha Maria", "Samba De Orly" e "Valsinha", são parcerias com outros grandes letristas e compositores da música brasileira — Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Toquinho ("Samba De Orly" faz referência ao aeroporto francês e a Paris, que se tornaram familiares para os brasileiros exilados). Outro destaque é "Valsinha", uma canção de amor de dois minutos que permaneceu nos ouvidos e no coração do público internacional. Um disco obrigatório. (Tim Jones)
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01. Deus Lhe Pague (Buarque)
02. Cotidiano (Buarque)
03. Desalento (Buarque, Moraes)
04. Construção (Buarque)
05. Cordão (Buarque)
06. Olha Maria (Buarque, Moraes, Jobim)
07. Samba De Orly (Buarque, Moraes, Toquinho)
08. Valsinha (Buarque, Moraes)
09. Minha História (Gesùbambino) (Dalla, Buarque)
10. Acalanto (Buarque)
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Dizzee Rascal | Boy In Da Corner (2003)

Em 2003, a cena garage inglesa já tinha atingido seu ápice e retornava ao underground. Nesse meio-tempo, Dizzee Rascal, um MC e produtor jovem, negro e paranóico, estava a caminho de se tornar o improvável líder de uma nova, opressiva, densa e agressiva variação do garage, um subgênero conhecido como grime.

Boy In Da Corner, a estréia de Dizzee, é o retrato sonoro da vida de um adolescente nos projects (conjuntos habitacionais para população de baixa renda) da zona leste de Londres. Dizzee escreveu e produziu o álbum sozinho, descrevendo a alienação e a confusão com precisão. O álbum chegou a disco de ouro na Inglaterra, um feito impressionante levando-se em conta a hostilidade do som. A produção de Dizzee baseava-se na velha escola do hip-hop, no garage, em drum n' bass, rock, electro e qualquer outro gênero de música negra que se possa nomear. Mas, simultaneamente, soava completamente alienígena. Caixas ensurdecedoras, trechos de fliperamas, sirenes de polícia, linhas de baixo instáveis e distorcidas, baterias fora de tom criam um som paranóico que reflete a mente de Dizzee e seu ambiente. A velocidade urbana desta música exigia um MC especial e Dizzee estava à altura da tarefa, cuspindo gírias da zona leste londrina e rimas sujas com destreza e estilo.

"I Luv U" foi o primeiro single do álbum — uma música áspera e satírica sobre a falta de comunicação entre um garoto e uma garota. Como todo bom letrista, Dizzee explora diferentes estilos, desde a fanfarronice do rap ("Hold Ya Mouf" e "Fix Up, Look Sharp") até a crítica social mais cortante ("Round We Go"). Também não tem medo de expor o seu lado mais sensível ("Brand New Day"). Boy In Da Corner ganhou merecidamente o prêmio Mercury em 2003. (Andy Pickering)
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01. Sittin' Here (Mills)
02. Stop Dat (Mills)
03. I Luv U (Mills)
04. Brand New Day (Mills)
05. 2 Far (Mills, Cowie)
06. Fix Up, Look Sharp (Mills, Denton, Squire)
07. Cut 'Em Off (Mills)
08. Hold Ya Mouf (Mills, Dowe)
09. Round We Go (Mills, Hector)
10. Jus' A Rascal (Mills, Rowe, Vardoen)
11. Wot U On? (Mills)
12. Jezebel (Mills)
13. Seems 2 Be (Mills)
14. Live O (Mills)
15. Do It! (Mills)
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