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Nine Inch Nails | The Downward Spiral (1994)

Quer algo sombrio mas alegre? Experimente The Cure. Brilhante e sombrio? Talvez o Pink Floyd. Desagradável, barulhento, suicida e sombrio? Viva o Nine Inch Nails!

"A visão geral", disse o líder Trent Reznor, "era de alguém que jogasse fora todos os aspectos de sua vida — dos relacionamentos à religião. [A idéia também é] encarar os vícios como formas de tentar enfraquecer a dor. Estou falando sobre mim... Não que seja um grande salto para mim.".

Essa ode à dor nasceu na casa em que Charles Manson e os seus seguidores assassinaram a atriz Sharon Tate. As más vibrações estavam em toda parte: Tori Amos, que estava de visita, não conseguiu cozinhar um frango para o subnutrido Reznor e concluiu que a casa estava amaldiçoada. O terror impregna essas músicas, ainda que Reznor negue que a repetição recorrente de "pigs" esteja relacionada com "Piggies", música dos Beatles que se tornou um hino de Manson. Entre as músicas mais elaboradas, como "March Of The Pigs", encontram-se momentos sedutores. A dançante "Closer", que usa um sample de bateria de "Nightclubbing" de Iggy Pop, tem um dos refrões mais citados na época: "I want to fuck you like an animal" ("Quero trepar com você como um animal"). Por fim chegamos a "Hurt". "A melhor faixa contra as drogas que já ouvi", afirmou Johnny Cash, cuja versão dessa mesma música foi seu epitáfio. O comovente vídeo de Cash foi assinado por Mark Romanek, que também dirigiu o clipe da música "Closer".

The Downward Spiral é provavelmente um dos discos multiplatina mais difíceis de se ouvir. Se o disco lhe "disser algo" e você não for o Reznor, melhor ficar preocupado. Mas as guitarras dilacerantes, as baterias ensurdecedoras e as músicas como um todo são intoxicantes e contagiantes.

E o frango de Tori Amos? "Não perguntei", disse Reznor encolhendo os ombros. "Provavelmente foi comido pelos fantasmas.". (Bruno MacDonald)
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01. Mr. Self Destruct (Reznor)
02. Piggy (Reznor)
03. Heresy (Reznor)
04. March Of The Pigs (Reznor)
05. Closer (Reznor)
06. Ruiner (Reznor)
07. The Becoming (Reznor)
08. I Do Not Want This (Reznor)
09. Big Man With A Gun (Reznor)
10. A Warm Place (Reznor)
11. Eraser (Reznor)
12. Reptile (Reznor)
13. The Downward Spiral (Reznor)
14. Hurt (Reznor)
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Red Hot Chili Peppers | Blood Sugar Sex Magik (1991)

Bob Marley, Black Sabbath e Bart Simpson? Misture-os e o resultado pode ser o Red Hot Chili Peppers. O grupo remete a Bob Marley no megasucesso "Give It Away", que termina com o riff de "Sweet Leaf", do Black Sabbath, e que eles acabariam tocando no desenho The Simpsons.

Esse tipo de mistura é bem típica da banda. Em Mother's Milk, de 1988, tinham aperfeiçoado uma mistura de hard rock, funk e músicas contagiantes. Agora bastava obterem um grande sucesso. "Under The Bridge", uma apologia à heroína composta por Anthony Kiedis e que ganhou vida com a guitarra cortante de John Frusciante, ajudou a fazer com que o disco vendesse sete milhões de cópias nos Estados Unidos. Frusciante é também a figura central de "I Could Have Lied", que fala da não-relação entre Kiedis e Sinéad O'Connor e indica a orientação que a banda seguiria em By The Way.

O restante do álbum é basicamente preenchido por pensamentos centrados em sexo, pontuados pelo baixo de Flea e a bateria inexorável de Chad Smith. Entre os melhores momentos estão as frenéticas "Suck My Kiss" e "My Lovely Man", uma homenagem ao falecido predecessor de Frusciante, Hillel Slovak.

O produtor Rick Rubin demonstrou ser uma escolha perfeita para um grupo que misturava a percussão industrial com flamenco ("Breaking The Girl"); incorporava um final elegíaco ao ultrafunky "Sir Psycho Sexy" e concluía com uma versão tresloucada de Robert Johnson. Rubin lhes pediu ao menos "uma música sobre garotas e carros". Kiedis detestou o resultado — "The Greeting Song" —, mas hoje em dia constitui um dos 17 incentivos para subirmos a bordo da montanha-russa que é Blood Sugar Sex Magik. (Bruno MacDonald)
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01. The Power Of Equality (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
02. If You Have To Ask
(Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
03. Breaking The Girl (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
04. Funky Monks (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
05. Suck My Kiss (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
06. I Could Have Lied (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
07. Mellowship Slinky In B Major (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
08. The Righteous & The Wicked (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
09. Give It Away (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
10. Blood Sugar Sex Magik (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
11. Under The Bridge (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
12. Naked In The Rain (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
13. Apache Rose Peacock
(Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
14. The Greeting Song (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
15. My Lovely Man (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
16. Sir Psycho Sexy (Kiedis, Flea, Smith, Frusciante)
17. They're Red Hot (Johnson)
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The Beatles | Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)

Vamos navegar de volta a 1967, quando os beatlemaníacos que haviam tentado achar o prumo com Rubber Soul e Revolver seriam recompensados com uma divertida fantasia musical, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band ficou 15 semanas no topo da parada da Billboard e ainda estava entre os cinco primeiros quando Magical Mystery Tour chegou à liderança, seis meses depois.

Por quê? Porque a ampliação de horizontes proposta pelo álbum vinha ancorada em composições brilhantes. Desde a abertura contagiante de Paul McCartney (que Jimi Hendrix tocou ao vivo dois dias depois de lançado o disco), passando pela caleidoscópica "Lucy In The Sky With Diamonds", de Lennon, até a atordoante "A Day In The Life", composta pela dupla, cada música é um tesouro.

Apesar da omissão de "Strawberry Fields Forever" — o single provocativo que fez a ponte entre Revolver e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band —, o álbum contém elementos psicodélicos: filosofia oriental ("Within You Without You", de Harrison) e menção a drogas (embora Lennon tenha negado as referências ao LSD em "Lucy", McCartney deixou tudo claro em "Fixing A Hole").

O certificado de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band como uma obra da pop art foi conferido pela capa mais famosa da história do disco. O designer Peter Blake imaginou primeiro uma caixa de presente, mas acabou optando por juntar na capa uma série de recortes de cartolina (alguns famosos rostos — Jesus, Hitler, Gandhi — não sobreviveram à montagem final).

O álbum causou um impacto sem precedentes. As rádios o tocaram dias a fio. O crítico Kenneth Tynan, do The Times, o classificou como "um momento decisivo na história da civilização ocidental". Essa hipérbole já não se aplica, mas ficou um pop perfeito, no qual a ousadia e a música se mesclam para sempre. (Bruno MacDonald)
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01. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Lennon, McCartney)
02. With A Little Help From My Friends (Lennon, McCartney)
03. Lucy In The Sky With Diamonds (Lennon, McCartney)
04. Getting Better (Lennon, McCartney)
05. Fixing A Hole (Lennon, McCartney)
06. She's Leaving Home (Lennon, McCartney)
07. Being For The Benefit Of Mr. Kite! (Lennon, McCartney)
08. Within You Without You (Harrison)
09. When I'm Sixty-Four (Lennon, McCartney)
10. Lovely Rita (Lennon, McCartney)
11. Good Morning Good Morning (Lennon, McCartney)
12. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) (Lennon, McCartney)
13. A Day In The Life (Lennon, McCartney)
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Pink Floyd | The Dark Side Of The Moon (1973)

Solos de guitarra de acid blues. Letras que falam de desgraças e guerras. Um título espacial. Lançado em 1973 por um grupo de anônimos, mas de grande influência.

Esta é a descrição de Cosmic Slop, do Funkadelic. Não tem nada a ver com The Dark Side Of The Moon, exceto pelo fato de que ambos são a trilha sonora de uma era de cinimsmo, quando o caso Watergate e a Guerra do Vietnã mataram o que havia sobrado do espírito dos anos 60 depois de Altamont.

Esta obra de época teve, porém, um início banal. Ansiosa para se desprender dos grilhões psicodélicos, a banda se reuiniu na cozinha do baterista Nick Mason para fazer uma lista das coisas que a incomodavam. Essas preocupações — tempo, dinheiro, loucura, morte — foram combinadas com músicas no estilo meio funk rock de Obscured By Clouds e apresentadas numa turnê, durante um ano, com o nome de Eclipse (A Place For Assorted Lunatics). Salpicada pelo pozinho mágico dos estúdios — vocais gospel, solos explosivos, efeitos sonoros —, Eclipse virou The Dark Side Of The Moon. Na esteira da fama angariada pela banda nas apresentações ao vivo, o álbum vendeu um milhão de cópias nos Estados Unidos, e foi para a estratosfera quando a Capitol, associada à Harvest, transformou "Money" num raro hit do Floyd em single.

Hoje, o álbum pode ser encontrado em edições comemorativas e já foi regravado por um grupo reggae de paródias (Dub Side Of The Moon, de 2003) e pelo Phish. Quando a capa é aberta, surge um prisma que reflete um raio de luz, de forma infinita. Uma das imagens míticas do rock, o prisma evoca tanto o lendário show do Floyd quanto a ambição "exagerada" das letras.

Com essa carga simbólica, podia se esperar que o álbum fosse uma chatice. Mas, na verdade, é uma coleção de canções brilhantes, melodiosas e vibrantes. Para os iniciantes em Pink Floyd, este é o primeiro passo. (Bruno MacDonald)
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01. Speak To Me/Breathe (Gilmour, Waters, Wright, Mason)
02. On The Run (Gilmour, Waters)
03. Time/Breathe (Reprise) (Gilmour, Waters, Wright, Mason)
04. The Great Gig In The Sky (Wright, Torry)
05. Money (Waters)
06. Us And Them (Waters, Wright)
07. Any Colour You Like (Gilmour, Wright, Mason)
08. Brain Damage (Waters)
09. Eclipse (Waters)
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Radiohead | OK Computer (1997)

Misturar The Smiths e Queen é sinônimo de demência. Por sorte, as influências idiossincráticas do Radiohead estavam à altura de seu talento e o seu terceiro álbum foi ainda mais longe que o seu espetacular antecessor, The Bends.

O sucesso que os acompanhava desde o sucesso do single "Creep" não tornou seu líder, Thom Yorke, um homem feliz. A música mais alegre do álbum, "Airbag", fala da "emoção maravilhosa e positiva que você sente quando acaba de se safar de um acidente".

Em outras faixas ele solta sua raiva contra "negócios e babaquices" ("Electioneering"), contra "estar encurralado" ("Let Down") e contra "o monstro do armário" ("Climbing Up The Walls"). A mais vívida é "Paranoid Android", cujo título vem do livro O Mochileiro Das Galáxias, de Douglas Adams: a letra, inspirada no jet-set enlouquecido pela cocaína, é uma evocação pavorosa do "mais completo e absoluto caos".

A beleza da música suaviza o terror das letras. "Subterranean Homesick Alien" é adequadamente espacial. "No Surprises" é uma música delicada acompanhada por um carrilhão, e "Let Down" é tão adorável quanto seria de se esperar de uma música gravada numa sala de dança de Jane Seymor. "Lucky" e "The Tourist" têm um certo toque de Pink Floyd.

Há muitas surpresas sonoras: o loop de bateria inspirado no DJ Shadow na música "Airbag", a épica "Paranoid Android" no estilo de "Happiness Is A Warm Gun" e "Fitter Happier", remetendo a Stephen Hawking (na verdade, um computador Apple programado por Yorke).

OK Computer chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e na Inglaterra em segundo a banda, teve uma recepção "exagerada". Ainda assim, continua sendo fascinante de se ouvir, como em 1997. (Bruno MacDonald)
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01. Airbag (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
02. Paranoid Android (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
03. Subterranean Homesick Alien (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
04. Exit Music (For A Film) (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
05. Let Down (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
06. Karma Police (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
07. Fitter Happier (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
08. Electioneering (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
09. Climbing Up The Walls (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
10. No Surprises (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
11. Lucky (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
12. The Tourist (Yorke, Greenwood, O'Brien, Greenwood, Selway)
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The Beatles | Revolver (1966)

Antes os Beatles eram fabulosos e geniais; agora, esbanjavam autoconfiança, estampada na misteriosa capa em preto-e-branco, uma composição de desenho com colagem criada por Klaus Voorman, que conheciam de seus dias em Hamburgo. Essa confiança está exposta ainda no título ambíguo — muito melhor do que as propostas anteriores, Abracadabra, Magic Circles e Beatles On Safari.

E está também nas 14 faixas impecáveis. Ou 11, para os americanos, já que a Capitol reservou "I'm Only Sleeping", "And Your Bird Can Sing" e "Doctor Robert" para Yesterday And Today, uma miscelânea de músicas tiradas de LPs e singles desbancada do primeiro lugar da para da Billboard por Revolver (o que foi ótimo).

Revolucionário para a época — "Estou cansado de fazer coisas que as pessoas podem dizer que já ouviram antes", declarou McCartney —, Revolver repercutiu por décadas. O Earth, Wind and Fire levou o apoio do baixo de "Got To Get You Into My Life" à era disco. O The Jam copiou os riffs de "Taxman" em "Start!", um sucesso da parada britânica. E os Chemical Brothers basearam sua carreira em "Tomorrow Never Knows".

Revolver é citado como o momento em que os Beatles começaram a se desentender: fizeram seu último show algumas semanas depois do lançamento do disco, Lennon e McCartney não estavam mais compondo juntos e Harrison se remoía de ressentimento.

As vendas foram impressionantes e a elas se somaram os números do único single lançado logo depois, "Yellow Submarine/Eleanor Rigby": num lado, uma música eternamente infantil; no outro, um lamento à base de cordas que, mesmo hoje, não se parece com nada na música pop — ambos, como o álbum do qual se originam, simplesmente brilhantes. (Bruno MacDonald)
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01. Taxman (Harrison)
02. Eleanor Rigby (Lennon, McCartney)
03. I'm Only Sleeping (Lennon, McCartney)
04. Love You To (Harrison)
05. Here, There And Everywhere (Lennon, McCartney)
06. Yellow Submarine (Lennon, McCartney)
07. She Said She Said (Lennon, McCartney)
08. Good Day Sunshine (Lennon, McCartney)
09. And Your Bird Can Sing (Lennon, McCartney)
10. For No One (Lennon, McCartney)
11. Doctor Robert (Lennon, McCartney)
12. I Want To Tell You (Harrison)
13. Got To Get You Into My Life (Lennon, McCartney)
14. Tomorrow Never Knows (Lennon, McCartney)
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Gorillaz | Gorillaz (2001)

Coisas bizarras aconteceram no mundo da música em 2001. O Tool levou a matemática do metal ao topo das paradas. Mariah Carey tirou a roupa em Total Request Live. E excêntricos personagens de desenho animado ganharam um disco de platina.

Concebido por Damon Albarn, do Blur, e por Jamie Howlett, criador da HQ Tank Girl, o Gorillaz é formado por 2D, um garoto descolado, pelo baixista dentuço Murdoc, a fria e misteriosa Noodle e pelo prodígio do hip-hop Russell. Apareceram com uma biografia bizarra, apoiada na iconografia dos filmes de terror (daí o "Dracula" na versão americana). Por trás das imagens, há o eclético produtor Dan The Automator, Tina Weymouth (sua banda Tom Tom Club provavelmente faz parte da árvore genealógica do Gorillaz), o DJ canadense Kid Koala e o veterano cantor cubano Ibrahim Ferrer.

A receita do seu sucesso foi, sem dúvida, Del Tha Funkee Homosapien (seu disco, I Wish My Brother George Was Here, produzido por seu primo Ice Cube, é imprescindível para quem gosta de humor misturado com hip-hop). O rap sinistro de Del ajudou a transformar em hits músicas como "Clint Eastwood" e "Rock The House" e levou o Gorillaz a formar parcerias com Redman e com os protegidos de Eminem, o D12.

Entre as faixas de fácil audição aparecem alguns flertes com o dub reggae e o punk, que têm seu melhor exempo em Think Tank, do Blur, apesar de "Slow Country" ser uma das melhores composições de Albarn. Já "M1 A1" é um pastiche poderoso de "Roadrunner", de Jonathan Richman.

O melhor mesmo é curtir o Gorillaz em DVD (Gorillaz Phase One: Celebrity Take Down) ou na internet (www.gorillaz.com). Contudo, este álbum — que se manteve nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra durante um ano inteiro — é um passaporte para a turnê do mistério musical. (Bruno MacDonald)
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01. Re-Hash (Albarn, Hewlett)
02. 5/4 (Albarn, Hewlett)
03. Tomorrow Comes Today (Albarn, Hewlett)
04. New Genious (Brother) (Albarn, Hewlett, Brown)
05. Clint Eastwood (Albarn, Hewlett, Jones)
06. Man Research (Clapper) (Albarn, Hewlett)
07. Punk (Albarn, Hewlett)
08. Sound Check (Gravity) (Albarn, Hewlett)
09. Double Bass (Albarn, Hewlett)
10. Rock The House (Albarn, Hewlett, Dankworth, Jones, Nakamura)
11. 19-2000 (Albarn, Hewlett)
12. Latin Simone (¿Qué Pasa Contigo?) (Albarn, Hewlett, Villa)
13. Starshine (Albarn, Hewlett)
14. Slow Country (Albarn, Hewlett)
15. M1 A1 (Albarn, Hewlett)
16. Dracula (Albarn, Hewlett)
17. Left Hand Suzuki Method (Albarn, Hewlett)
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The Beatles | A Hard Day's Night (1964)

Para a maioria dos mortais, ter dois álbuns nos primeiros lugares das paradas de sucesso seria o ague da carreira, mas, para os Beatles, isso era apenas um aperitivo. Algumas semanas depois de Meet The Beatles e Second Album terem se sucedido como tops nos EUA, A Hard Day's Night liderava a lista.

A diferença? Pela primeira vez num disco dos Beatles, todas as faixas eram composições deles próprios. Embora creditadas a Lennon/McCartney, as músicas eram, na verdade, de Lennon, à exceção de três. Mas "And I Love Her", "Can't Buy Me Love" e "Things We Said Today", de McCartney, provam que qualidade não depende de quantidade (não por acaso, a jogada de gravar apenas canções originais era uma invenção de Buddy Holly, a quem Paul adorava). O álbum, porém, foi decepado para o lançamento nos EUA: "Anytime At All", "Things We Said Today", "When I Get Home", "You Can't Do That" e "I'll Be Back" foram substituídas por versões instrumentais, com arranjos de George Martin.

Desde o inconfundível toque da Rickenbacker de 12 cordas de Harrison na abertura da faixa-título, o álbum é uma lição de como tocar guitarra de forma simples, mas superlativa. Consciente dos deslizes cinematográficos cometidos por seu ídolo Elvis, Lennon insistiu para que o filme Os Reis Do Iê-Iê-Iê tivesse qualidade e fosse mais do que "uma obra pop de merda" e o álbum seguiu exatamente o mesmo padrão.

É verdade que há alegres músicas descartáveis como "I'm Happy Just To Dance With You" ou "Tell Me Why", mas o disco se equilibra com maravilhas como "And I Love Her" e "If I Fell". Enquanto isso, o rock de "A Hard Day's Night" e "Anytime At All" teve um impacto eletrizante em futuros heróis da guitarra como a banda The Byrds (e, no devido tempo, Tom Petty, um filhote dos Byrds) — e continuará fundamental enquanto existirem jovens arranhando o instrumento. (Bruno MacDonald)
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01. A Hard Day's Night (Lennon, McCartney)
02. I Should Have Known Better (Lennon, McCartney)
03. If I Fell (Lennon, McCartney)
04. I'm Happy Just To Dance With You (Lennon, McCartney)
05. And I Love Her (Lennon, McCartney)
06. Tell Me Why (Lennon, McCartney)
07. Can't Buy Me Love (Lennon, McCartney)
08. Any Time At All (Lennon, McCartney)
09. I'll Cry Instead (Lennon, McCartney)
10. Things We Said Today (Lennon, McCartney)
11. When I Get Home (Lennon, McCartney)
12. You Can't Do That (Lennon, McCartney)
13. I'll Be Back (Lennon, McCartney)
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Prince | 1999 (1982)

"Masturbando-se com uma revista?" É difícil acreditar que esse pequeno trecho picante retirado de "Darling Nikki" tenha dado origem à campanha do "Parental Advisory" (aviso de conteúdo explícito) nos Estados Unidos.

Até agora, tudo Prince: ninguém que tenha ouvido Dirty Mind, dos anos 80, se surpreenderia. A verdadeira revelação de 1999 foi Prince ter roubado descaradamente elementos de outros artistas, reunindo-os em uma alquimia que se tornaria o seu próprio modelo. Os ritmos seqüenciados e as vozes processadas eletronicamente não estão muito distantes de The Electric Spanking Of War Babies, do Funkadelic, mas Prince tinha músicas à altura dessa trapaça sonora.

A guerra é ganha naquilo que costumava ser o lado A. Se houver, na história do rock n' soul, uma abertura tão impressionante quando a de "1999", "Little Red Corvette" e "Delirious", certamente está guardada a sete chaves em um arquivo vigiado por um leopardo.

Mas não vamos correr em direção aos tesouros escondidos. "Automatic" seria o som do Kraftwerk se eles deixassem as bicicletas de lado e fossem fazer sexo. "Lady Cab Driver" é um funk contagiante e extremamente sedutor. "Free" é uma música mais leve que prenuncia "Purple Rain". "D.M.S.R." é um romance sexual em ritmo de disco music. "International Lover" é uma paródia esplêndida e perspicaz.

A cópia exata de Janet Jackson, Control, nos diz muito sobre o impacto de 1999 — um legado hoje mantido pelo The Neptunes. E, diabos, na capa interna Prince consegue manter uma aparência cool mesmo estando nu em meio a luzes néon. Um grande talento. (Bruno MacDonald)
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01. 1999 (Prince)
02. Little Red Corvette (Prince)
03. Delirious (Prince)
04. Let's Pretend We're Married (Prince)
05. D.M.S.R. (Prince)
06. Automatic (Prince)
07. Something In The Water (Does Not Compute) (Prince)
08. Free (Prince)
09. Lady Cab Driver (Prince)
10. All The Critics Love U In New York (Prince)
11. International Lover (Prince)
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Smashing Pumpkins | Siamese Dream (1993)

"Não acredito que seja necessário sofrer para se fazer boa arte". Um exorcismo de demônios da infância? A obra-prima de um megalomaníaco? Uma hora inteira de maravilhas do hard rock? Siamese Dream é tudo isso e muito mais.

O simples fato de o álbum existir se deve à ambição insana do líder Billy Corgan. Após meses de turnê do álbum Gish (1991), ele assumiu inteiramente a responsabilidade por uma continuação quando seus companheiros de banda não se interessaram por um "estranho plano genial [...] para sermos os mais pesados, mais durões, mais roqueiros [...]". Ironicamente — dado que o título se refere a "viver em um estado de sonhos, uma conexão orgânica entre as pessoas", a banda mal estava se falando.

As contribuições do guitarrista James Iha e da baixista D'Arcy Wretsky são tema para debate; é dito que Corgan tocou a maioria dos instrumentos sozinho. O baterista Jimmy Chamberlin acrescentou mais caos com um excesso extracurricular.

O tal plano a respeito dos "mais pesados, mais durões, mais roqueiros", contudo, foi levado a cabo de forma extraordinária por "Cherub Rock" e "Geek U.S.A.". E a grandiosa "Silverfuck" realiza o objetivo de Corgan de "juntar o poder do Black Sabbath com a dinâmica do Led Zeppelin com o psicodelismo do Pink Floyd". Mas são os momentos melódicos que garantem a imortalidade de Siamese Dream: a ressonante "Today", "Disarm", que é impulsionada pelos violinos, e a canção de ninar "Luna".

No que diz respeito às letras, Corgan confronta fantasmas do passado em "Disarm" (seus pais) e "Spaceboy" (seu irmão portador de deficiência), joga uma rede poética em "Mayonaise" e abre feridas em "Soma" (cujo assunto mais tarde se tornou sua ex-mulher). Esta última música conta com a participação de Mike Mills, do R.E.M., que declarou a respeito do disco: "É um grande disco com ou sem mim". Estava absolutamente certo. (Bruno MacDonald)
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01. Cherub Rock (Corgan)
02. Quiet (Corgan)
03. Today (Corgan)
04. Hummer (Corgan)
05. Rocket (Corgan)
06. Disarm (Corgan)
07. Soma (Corgan, Iha)
08. Geek U.S.A. (Corgan)
09. Mayonaise (Corgan, Iha)
10. Spaceboy (Corgan)
11. Silverfuck (Corgan)
12. Sweet Sweet (Corgan)
13. Luna (Corgan)
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Hüsker Dü | Warehouse: Songs And Stories (1987)

Muitas vezes o reconhecimento crítico também significa que um disco é impossível de ouvir. Era isso que ocorria com o hardcore inicialmente produzido pelos Hüsker Dü. Em 1985, contudo, esses rapazes trocaram a velocidade por composições de qualidade e desenvolveram um som que traçaria o caminho para toda uma geração. Esse som — guitarras furiosas, baterias implacáveis e ganchos no melhor estilo Beatles — foi sendo refinado ao longo dos dois anos que se seguiram. "Chegou a ser um ritual", afirmou o guitarrista Bob Mould. "[Warehouse] era exatamente igual aos três álbuns anteriores".

De certa forma, tinha razão. O disco diferencia-se de Candy Apple Grey (1986) por ser mais longo e ter uma capa mais bonita. Mas Warehouse é um testemunho admirável do que pode ser feito quando as grandes forças motrizes de um grupo — neste caso, Mould e o baterista Grant Hart — têm aversão um ao outro.

Mould ganhou no número de músicas (11 contra 9 do seu rival), tendo se recusado — segundo Hart — a que cada um compusesse exatamente a metade. Hart trouxe mais diversidade, graças à solene "Charity, Chastity And Hope", "She Floated Away", o rock "Actual Conditions" e a furiosa "You Can Live At Home".

Mas Mould também tinha algumas pérolas: "Could You Be The One?" antecipa-se à sensibilidade pop que ele iria trabalhar em sua próxima banda, o Sugar. A melhor e mais ilustrativa é "Friend, You've Got To Fall", um golpe baixo de Mould para criticar o entusiasmo de Hart em relação à heroína.

O grupo dissolveu-se durante a turnê deste disco e as feridas continuam abertas. Não poderiam ter tido um epitáfio melhor. (Bruno MacDonald)
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01. These Important Years (Mould)
02. Charity, Chastity, Prudence And Hope (Hart)
03. Standing In The Rain (Mould)
04. Back From Somewhere (Hart)
05. Ice Cold Ice (Mould)
06. You're A Soldier (Hart)
07. Could You Be The One? (Mould)
08. Too Much Spice (Hart)
09. Friend, You've Got To Fall (Mould)
10. Visionary (Mould)
11. She Floated Away (Hart)
12. Bed Of Nails (Mould)
13. Tell You Why Tomorrow (Hart)
14. It's Not Peculiar (Mould)
15. Actual Condition (Hart)
16. No Reservations (Mould)
17. Turn It Around (Mould)
18. She's A Woman (And Now He Is A Man) (Hart)
19. Up In The Air (Mould)
20. You Can Live At Home (Hart)
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KISS | Destroyer (1976)

Solos de guitarra flamenca e cópias de Beethoven não são elementos óbvios para o sucesso, especialmente para uma banda de rock n' roll de revista em quadrinhos, famosa por "Rock And Roll All Nite". Ainda assim, Destroyer é o álbum-símbolo do KISS.

Alive! (1975) marcou o fim da fase primal do grupo, deixando o KISS livre para novas experiências. Foi então que chegou o produtor Bob Ezrin, que havia afiado suas armas com Lou Reed e Alice Cooper. Ele tinha uma visão de que a banda era "uma caricatura de tudo o que mobilizava a juventude" e pressionou o grupo a ir além da simples provocação de seus trabalhos anteriores.

Os resultados incluíram hinos duradouros, em especial "Detroit Rock City" (na qual há o solo de flamenco supracitado) e "God Of Thunder" (uma música de Paul Stanley que se tornou marca registrada de Gene Simmons). Havia também esquisitices, como a balada "Beth", um hit, e "Great Expectations", que traz a incursão de Ezrin à "Pathétique", de Beethoven. ("Eu rio cada vez que ouço essa faixa", confessou ele ao biógrafo do KISS, Ken Sharp.)

Ezrin encarregou o produtor Kim Fowley, de Los Angeles, de ajudar com a pomposa "King Of The Night Time World" e com "Do You Love Me?". Numa tentativa de aumentar o tempo de duração da gravação, ele acrescentou colagens de sons no início e no fim — uma faixa final lúgubre, de 86 segundos, mistura pedaços anteriores de Destroyer e um fragmento de Alive!. Este pacote vinha embalado pela pintura expressiva de Ken Kelly, primo do artista Frank Frazetta. Joe Elliott, do Def Leppard, afirmou: "Comprei o disco só pela capa."

Os fãs debatem, até hoje, os méritos de Destroyer, uma discussão alimentada pela revelação de que Ezrin dispensou o guitarrista Ace Frehley de duas faixas. Mas a banda passou o resto de sua carreira tentando igualar a qualidade deste álbum. (Bruno MacDonald)
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01. Detroit Rock City (Stanley, Ezrin)
02. King Of The Night Time World (Stanley, Ezrin, Fowley, Anthony)
03. God Of Thunder (Stanley)
04. Great Expectations (Simmons, Ezrin)
05. Flaming Youth (Frehley, Stanley, Simmons, Ezrin)
06. Sweet Pain (Simmons)
07. Shout It Out Loud (Stanley, Simmons, Ezrin)
08. Beth (Criss, Ezrin, Penridge)
09. Do You Love Me? (Stanley, Ezrin, Fowley)
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The Beatles | Rubber Soul (1965)

Em 1964, os americanos que compraram Meet The Beatles foram apresentados a quatro rapazes de franja e terninho que não pareciam encarnar de forma alguma o desejo de liberdade. Apenas dois anos depois é que os fãs puderam chegar perto de conhecer os verdadeiros Beatles — estrelas do pop cheias de imaginação. E só mais tarde a banda — particularmente Lennon — iria desnudar sua alma. Mas Rubber Soul já valia a pena.

O álbum injeta mística no mundo dos Beatles. A capa psicodélica — a foto, feita por uma lente grande-angular, dá ao grupo, muito sério, um ar "ligadão" — nem traz o nome da banda (era a primeira vez que isso acontecia nos Estados Unidos).

Das letras obscuras, a melhor é a de "Norwegian Wood (This Bird Has Flown), de Lennon — que, como "I'm Looking Through You", de McCartney, faz alusão à sua turbulenta vida pessoal. "Nowhere Man", porém, descarta totalmente o romance — coisa rara para o grupo até então.

A sentimental "Michelle" compensa em beleza o que não tem em profundidade, enquanto "Girl" é enganosamente simples (bem mais sofisticada do que "Just Like A Woman", de Bob Dylan, segundo o crítico Greil Marcus).

Musicalmente, Rubber Soul é um passo à frente. Os elementos-chave do disco incluem a cítara e, em "Think For Yourself", o baixo distorcido — como "The Word", é um rock sem data de validade.

A maior ofensa ao reinado dos Beatles não é "Ob-La-Di, Ob-La-Da". É o fato de Rubber Soul ser tão subestimado. O álbum não contém hits (sucesso nos EUA como single, "Nowhere Man" não foi incluída na versão americana do LP), mas seria um destaque na discografia de qualquer banda menor. (Bruno MacDonald)
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01. Drive My Car (Lennon, McCartney)
02. Norwegian Wood (This Bird Has Flown) (Lennon, McCartney)
03. You Won't See Me (Lennon, McCartney)
04. Nowhere Man (Lennon, McCartney)
05. Think For Yourself (Harrison)
06. The Word (Lennon, McCartney)
07. Michelle (Lennon, McCartney)
08. What Goes On (Lennon, McCartney, Starr)
09. Girl (Lennon, McCartney)
10. I'm Looking Through You (Lennon, McCartney)
11. In My Life (Lennon, McCartney)
12. Wait (Lennon, McCartney)
13. If I Needed Someone (Harrison)
14. Run For Your Life (Lennon, McCartney)
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Beck | Sea Change (2002)

Após uma década de ritmos hip-hop encardidos e folk desgastado, Sea Change testemunhou um Beck farto de sua própria alternância incessante entre gêneros musicais. E como soava cansado. Sea Change foi lançado logo após o rompimento de Beck com a sua namorada Leigh Limon e também após sua conversão à Cientologia. O disco chafurdava na infelicidade, o que significava — salvo algumas explosões catárticas de barulho — que suas travessuras pós-modernas chegavam ao fim. enquanto Midnite Vultures (2000) era um espécie de trilha sonora para um filme nunca rodado dos Banana Splits, Sea Change se firma em canções simples, tristes, com uma objetividade rara para esse compositor freqüentemente obscuro.

Com o suporte de Roger Manning, Smokey Hormel, Joey Waronker e Justin Meldal-Johnsen, seguindo o modelo nada intrusivo de country rock (pense em Harvest) — é a voz acústica, delicada e ferida de Beck que impulsiona o álbum. Até o produtor Nigle Godrich, amante de equipamentos eletrônicos, limita-se a seguir em frente com o trabalho de diluir a dor de amor do pobre Beck em 12 faixas.

Alguns até sentiram falta do experimentalismo de Odelay e de Midnite Vultures. É bem verdade que as letras são pouco incisivas (em "End Of The Day", ele rima "before" com "before") e que a voz oscila entre cansada e clinicamente morta. Mas os arranjos orquestrais de tirar o fôlego em "Paper Tiger", "Lonesome Tears" e "Round The Bend", além das intensamente alegres/tristes "Sunday Sun", "Little One" e "Lost Cause", são de uma sinceridade e uma determinação que poucos imaginavam que Beck tivesse. (Bruno MacDonald)
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01. The Golden Age (Hansen)
02. Paper Tiger (Hansen)
03. Guess I'm Doing Fine (Hansen)
04. Lonesome Tears (Hansen)
05. Lost Cause (Hansen)
06. End Of The Day (Hansen)
07. It's All In Your Mind (Hansen)
08. Round The Bend (Hansen)
09. Already Dead (Hansen)
10. Sunday Sun (Hansen)
11. Little One (Hansen)
12. Side Of The Road (Hansen)
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