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Dead Kennedys | Fresh Fruit For Rotting Vegetables (1980)

Não é por acaso que o álbum de estréia dos Dead Kennedys foi lançado no ano em que Ronald Reagan foi eleito presidente dos Estados Unidos. A postura populista de direita de Reagan, combinada com o fundamentalismo cristão, serviu de contraponto perfeito, bem como de inspiração, para a música radicalmente política da banda.

A influência original dos Dead Kennedys veio da primeira onda dos punks ingleses, como os Sex Pistols. Mas eles logo se desiludiram com a anarquia dessas bandas e criaram sua própria versão do movimento punk.

Fresh Fruit For Rotting Vegetables é um álbum inteligente e bem-humorado que satiriza o panorama social desolador de sua época. "Holiday In Cambodia" é um ataque feroz aos yuppies, enquanto "Kill The Poor" é uma trilha sonora mordaz para o sarcástico texto Modesta Proposta, em que Jonathan Swift propõe que as famílias comam seus filhos como solução para a pobreza. Para demonstrar que todo o seu desprezo não estava reservado apenas à extrema direita, Biafra disparou sua metralhadora giratória no governador democrata Jerry Brown em "California Über Alles", descrevendo-o como um "fascista zen".

Ainda que o interesse pelos Dead Kennedys estivesse muito centrado nas letras de Biafra, a inteligência e a contundência de suas músicas o separou da limitação dos três acordes característicos da música punk. A introdução cataclismática de "Holiday In Cambodia" confere o tom dark da música, enquanto "California Über Alles" é bombástica como um comício de Nuremberg numa praia californiana.

Mesmo que, em última instância, os Dead Kennedys tenham perdido a batalha contra Reagan e as forças de direita, como grito de guerra poucos discos se comparam a este. (Seth Jacobson)
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01. Kill The Poor (Biafra, Ray)
02. Forward To Death (6025)
03. When Ya Get Drafted (Biafra)
04. Let's Lynch The Landlord (Biafra)
05. Drug Me (Biafra)
06. Your Emotions (Ray)
07. Chemical Warfare (Biafra)
08. California Über Alles (Biafra, Greenway)
09. I Kill Children (Biafra)
10. Stealing People's Mail (Biafra)
11. Funland At The Beach (Biafra)
12. Ill In The Head (Biafra, 6025)
13. Holiday In Cambodia (Biafra, Greenway)
14. Viva Las Vegas (Pomus, Shuman)
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Nick Cave And The Bad Seeds | Murder Ballads (1996)

Como poeta do lado noir do rock, não foi surpresa saber que Nick Cave era um admirador das baladas sobre assassinatos — um tipo de música popular do século XVIII, que, como o nome indica, narrava massacres de forma bem violenta.

Desde a capa — reprodução de uma pintura a óleo com uma cena de inverno, muito diferente das capas de seus trabalhos anteriores — até os cantores convidados (incluindo a sereia do pop Kylie Minogue), este não é um LP típico dos Seeds. A banda toca de forma quase jovial, com um Cave intimista que desfruta com contentamento a criação de uma galeria sombria de estudantes assassinadas, cônjuges dementes e serial killers psicopatas.

O lendário Stagger Lee ("bad motherfucker called Stagger Lee"), cuja notoriedade tinha já sido celebrada por James Brown e Wilson Picket, entre outros, aparece na música homônima perpetrando atos indizíveis contra os clientes da taberna The Bucket Of Blood. "The Curse Of Millhaven" é protagonizada pela angelical Loretta, que, aos 14 anos, se transforma num demônio feminino e assassina todos os habitantes de sua aldeia. Ao longo do álbum, os Seeds constroem um ambiente claustrofóbico onde as almas condenadas de Cave estão irreversivelmente perdidas.

Cave sempre atribuiu o êxito do álbum à presença de Kylie Minogue e enfatiza que o disco foi como "férias" para a banda, mas o trabalho, que se encerra com uma versão surpreendente e doce da música de Dylan, "Death Is Not The End", com P.J. Harvey e Shane MacGowan como estrelas convidadas, é uma parte de sua discografia que exige o máximo respeito. (Seth Jacobson)
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01. Song Of Joy (Cave, Milton)
02. Stagger Lee (Traditional, Cave, Bargeld, Casey, Harvey, Savage, Sclavunos, Wydler)
03. Henry Lee (Traditional, Cave)
04. Lovely Creature (Cave, Bargeld, Casey, Harvey, Wydler)
05. Where The Wild Roses Grow (Cave)
06. The Curse Of Millhaven (Cave)
07. The Kindness Of Strangers (Cave)
08. Crow Jane (Cave, Casey)
09. O'Malley's Bar (Cave)
10. Death Is Not The End (Dylan)
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AC/DC | Back In Black (1980)

Uma capa que pode ser descrita apenas como preta? O.k. Um vocalista principal morto, afogado no próprio vômito? Sim. Perspectivas pré-históricas sobre sexualidade nos títulos das músicas? É isso aí. É perfeitamente possível confundir o AC/DC com o Spinal Tap, já que os dois grupos preenchem tudo o que é necessário para ser uma paródia de banda de heavy metal. Mas os australianos escaparam dessa caricatura ao produzirem um rock básico, divertido e poderoso.

Quando o cantor Bon Scott morreu, em fevereiro de 1980, o AC/DC já tinha conquistado a Europa, mas os Estados Unidos ainda eram território distante. O grupo era extremamente ambicioso e recrutou o vocalista Brian Johnson, seguindo uma recomendação do produtor Robert Lange.

A única insinuação geral de Tappery está logo no início de "Hells Bells", quando as badaladas de um sino sinistro nos fazem temer que a banda esteja a ponto de embarcar em seu próprio "Stonehenge". Logo em seguida, contudo, as guitarras dos irmãos Young entram e a pauleira rola solta.

"Back In Black" e "Have A Drink On Me" são em homenagem a Scott, mas quase não sentimos sua falta no restante do disco, já que os poderosos gritos de Johnson se encaixam perfeitamente na mixagem.

A libertinagem rude de "Let Me Put My Love Into You" — "deixe que eu corte seu bolo com minha faca" — reafirma que a morte de Scott não mudou em nada a cabeça dos rapazes. A última faixa, "Rock And Roll Ain't Noise Pollution", é uma alfinetada nos críticos mais intelectualizados.

O AC/DC finalmente fez sucesso nos Estados Unidos com Back In Black, atingindo a soma de um milhão de discos vendidos por ano nos cinco anos seguintes. Eles, bem como todos aqueles que curtiram seu rock, nunca olharam para trás. (Seth Jacobson)
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01. Hells Bells (Young, Young, Johnson)
02. Shoot To Thrill (Young, Young, Johnson)

03. What Do You Do For Money Honey? (Young, Young, Johnson)
04. Givin' The Dog A Bone (Young, Young, Johnson)
05. Let Me Put My Love Into You (Young, Young, Johnson)
06. Back In Black (Young, Young, Johnson)
07. You Shook Me All Night Long (Young, Young, Johnson)
08. Have A Drink On Me (Young, Young, Johnson)
09. Shake A Leg (Young, Young, Johnson)
10. Rock And Roll Ain't Noise Pollution (Young, Young, Johnson)
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Iggy Pop | Lust For Life (1977)

O ano de 1977 foi o annus mirabilis de Iggy Pop. Ele retomou a carreira, depois de enfrentar problemas mentais e profissionais amplamente divulgados, para fazer dois álbuns que qualquer artista ficaria feliz em gravar. E também viu o punk — do qual sempre foi saudado como padrinho — se realizar.

Como The Idiot, Lust For Life foi gravado nos estúdios Hansa, em Berlin, perto do Muro. Mas, se o primeiro álbum era mais contemplativo e influenciado pelo produtor David Bowie, Lust For Life representava um retorno ao som mais vigoroso dos Stooges (embora Bowie toque piano e participe dos vocais neste disco). Ou seja, se o primeiro disco era o som de regresso à música, Lust For Life apresentava muito mais autoconfiança.

A partir da efervescente introdução de bateria da faixa-título, as músicas são levadas pela seção rítmica formada pelos irmãos Sales, Hunt (bateria) e Tony (baixo) — mais tarde, essa dupla reapareceu no Tin Machine, o grupo com o qual Bowie apunhalou o hard rock sofisticado, no final dos anos 80, sobre o qual é melhor não comentar. A banda cobre, sem interrupções, uma gama de gêneros musicais, do stomp ao rock com tintas de blues.

As letras de Lust For Life são uma revelação. Pop impressiona ao falar da experiência turbulenta por que havia passado em "The Passenger", um passeio por uma metrópole cheia de farras e bebedeiras que, se não era mais um retrato do presente, apresentava uma perfeita lembrança do passado. Ele é ainda mais cáustico em "Success", uma ironia com seu status recém-adquirido.

Enquanto uma geração de jovens punks venerava seu trabalho anterior, Pop atingia um outro estágio da carreira. (Seth Jacobson)
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01. Lust For Life (Pop, Bowie)
02. Sixteen (Pop)
03. Some Weird Sin (Pop, Bowie)
04. The Passenger (Pop, Gardiner)
05. Tonight (Pop, Bowie)
06. Success (Pop, Bowie, Gardiner)
07. Turn Blue (Pop, Lacey, Bowie, Peace)
08. Neighborhood Threat (Pop, Bowie, Gardiner)
09. Fall In Love With Me (Pop, Bowie, Sales, Sales)
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Miles Davis | Kind Of Blue (1959)

Às vezes, a badalação exagerada em cima de um álbum o sufoca. Adjetivos fáceis como "clássico", "inovador" ou "marcante" são atribuídos por aí com muita facilidade e, em meio a isso, pode-se perder o verdadeiro valor do material original. Ainda bem que Kind Of Blue não precisa dessa advertência — trata-se de um momento que definiu um gênero musical do século 20 e ponto final.

Davis tocava com o saxofonista John Coltrane desde 1955 e, nos anos seguintes, eles afiaram sua música até chegar a Kind Of Blue.

Gravadas no estúdio da Columbia, na 30th Street, em Nova York, as cinco faixas ocuparam duas sessões de nove horas, um tempo notável para uma banda que nunca tinha visto as partituras antes — um truque usado com freqüência por Davis para fazer os músicos se concentrarem mais em suas performances. Ele também acreditava em poucos ensaios e, assim, conseguia levar os instrumentistas a uma brilhante espontaneidade.

Desde a abertura em meio-tempo de "So What", o álbum apresenta um leque variado de estilos, como a espantosa "Blue In Green", com Wynton Kelly tocando piano suavemente para acompanhar os lamentos do trompete de Davis, e a languidez da espanholada "Flamenco Sketches". A banda estava tão afinada que foram necessários apenas seis takes para gravar as cinco faixas — apenas "Flamenco Sketches" precisou de uma nova rodada.

O álbum foi celebrado desde o lançamento. Mas nem Miles é infalível. Três faixas foram gravadas no tom errado (o que seria consertado mais tarde, nos relançamentos). Como se alguém tivesse notado. (Seth Jacobson)
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01. So What (Davis)
02. Freddie Freeloader (Davis)
03. Blue In Green (Davis)
04. All Blues (Davis)
05. Flamenco Sketches (Davis)
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The Beach Boys | Pet Sounds (1966)

Se Rubber Soul definiu um momento capital dos Beatles, sinalizando para a viagem psicodélica na qual iriam embarcar, também serviu para atiçar Brian Wilson, o gênio errático que era o coração dos Beach Boys. "Cada faixa é artisticamente interessante e estimulante", reconheceu, e partiu para criar Pet Sounds, um álbum que igualou — e até mesmo superou — o trabalho dos Fab Four.

Wilson passou dois meses, no início de 1966, escrevendo as músicas com Tony Asher, um executivo da área de publicidade especializado em jingles. O conteúdo do álbum é radicalmente diferente dos anteriores. Nada dos unidimensionais hinos ao sol e surfe; em seu lugar, uma música mais complexa, alegre mas tingida de emoções profundas e turbulentas.

Desde a abertura, com a surpreendente "Wouldn't It Be Nice" — um desabafo cheio de sentimento, escorado por camadas de metais, percussão e campainhas de bicicleta —, Pet Sounds transcende o pop. O talento de Wilson para compor tanto músicas como letras brilha em todas as canções, de "I Just Wasn't Made For These Times" até "Caroline, No", sua faixa favorita.

Depois de Pet Sounds (a foto da capa, tirada no Jardim Zoológico de San Diego, é um trocadilho com o título — a palavra pet também significa animal de estimação), Wilson começou a pender para a loucura. Confusos com esse novo tipo de música, muitos fãs evitaram o disco (o mesmo fez a Capitol, que não o promoveu). Dali em diante, Wilson se tornou obcecado pela busca do álbum pop perfeito. Enquanto isso, na Inglaterra, os Beatles desafiavam Pet Sounds com Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band... (Seth Jacobson)
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01. Wouldn't It Be Nice (Wilson, Asher, Love)
02. You Still Believe In Me (Wilson, Asher)
03. That's Not Me (Wilson, Asher)
04. Don't Talk (Put Your Head On My Shoulder) (Wilson, Asher)
05. I'm Waiting For The Day (Wilson, Love)
06. Let's Go Away For Awhile (Wilson)
07. Sloop John B (Traditional)
08. God Only Knows (Wilson, Asher)
09. I Know There's An Answer (Wilson, Love, Sachen)
10. Here Today (Wilson, Asher)
11. I Just Wasn't Made For These Times (Wilson, Asher)
12. Pet Sounds (Wilson)
13. Caroline, No (Wilson, Asher)
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Jeff Buckley | Grace (1994)

Numa época em que as guitarras grunge e camisas quadriculadas eram a trilha sonora para a angústia, as melodias delicadas e a sensibilidade estética de Jeff Buckley o colocavam num mundo à parte. Tendo saído da cena vanguardista de Nova York no início dos anos 90, Buckley — cujo pai era um herói do folk do final da década de 60 — gravou seu primeiro EP comercial de quatro músicas, Live At Sin-É, no café de mesmo nome no bairro boêmio East Village. Antes de ser lançado pela Columbia no outono de 94, Buckley e os seus músicos já tinham gravado o seu primeiro LP de estúdio, Grace.

O disco é uma ode em 10 músicas dedicadas à saudade, à perda e à absoluta incompetência do homem nos momentos difíceis. As letras são melancólicas, mas o álbum escapa de ser excessivamente sentimental graças ao tom otimista dos vocais de Buckley e aos reconfortantes arranjos musicais. "Last Goodbye" é insuportavelmente triste e é acompanhada por cordas capazes de dilacerar o mais duro e frio dos corações. Ao mesmo tempo, "Corpus Christi Carol", de Benjamin Britten, deixa Buckley solto para demonstrar a flexibilidade de sua voz, que alcançava várias oitavas. Uma boa ironia presente no trabalho de Buckley é o fato de que músicas pensadas para locais minúsculos com acústica pobre soam enormes e gloriosas neste álbum de estréia impressionantemente maduro. A sua versão de "Hallelujah", de Leonard Cohen, demonstra tanta autoconfiança que ficamos pensando quem gravou a primeira versão...

Grace tornou-se um álbum clássico e tanto os críticos como os músicos elogiaram a genialidade musical de Buckley. Mas infelizmente o futuro brilhante que todos prediziam nunca veio: Jeff Buckley afogou-se em maio de 1997, aos 30 anos, deixando um legado musical tragicamente curto, mas de importância vital. (Seth Jacobson)
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01. Mojo Pin (Buckley, Lucas)
02. Grace (Buckley, Lucas)
03. Last Goodbye (Buckley)
04. Lilac Wine (Shelton)
05. So Real (Buckley, Tighe)
06. Hallelujah (Cohen)
07. Lover, You Should've Come Over (Buckley)
08. Corpus Christi Carol (Britten)
09. Eternal Life (Buckley)
10. Dream Brother (Buckley, Grondahl, Johnson)
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The Stooges | Raw Power (1973)

Na capa, a imagem de Iggy Pop, provocante e ameaçador, captura à perfeição sua resposta aos problemas e críticas que enfrentou antes de este álbum tomar forma. Depois de um relacionamento infeliz com a gravadora Elektra — que divulgou mal os dois primeiros álbuns da banda e se livrou deles antes que os Stooges começassem o terceiro disco —, Pop saiu do grupo e deixou Detroit para se juntar a David Bowie em Nova York.

Por sugestão de Bowie, Iggy e o guitarrista James Williamson foram a Londres para gravar Raw Power. Na capital inglesa, Pop reconvocou Ron e Scott Asheton, os irmãos que tinham criado a sessão rítmica primal dos Stooges. O ambiente cordial da "velha e boa Inglaterra", como dizia Pop, não aliviou o áspero machismo de Raw Power. Na verdade, o disco não poderia estar mais longe da ambigüidade sexual do glam rock vendida por Bowie e outros naquela época. A visão que Pop tinha do álbum era ambiciosa — a mixagem inicial de "Search And Destroy" traz o som de uma luta de espadas, enquanto "Penetration" usa uma das matérias-primas do rock n' roll, a celesta (um teclado composto por sinos orquestrais) — mas a guitarra de Williamson e o ritmo cru dos Ashetons mantiveram o disco numa linha mais simples, voltada para o estômago e os testículos.

A Columbia odiou o álbum e achou o material menos acessível do que o produzido pelos Stooges para a Elektra. A gravadora encarregou Bowie de salvar o que pudesse daquela mixórdia. Ainda bem que ele deu atenção às idéias de Iggy e montou oito faixas que influenciaram os primeiros punks de Nova York e Londres e atribuíram a Pop o papel de padrinho do movimento. (Seth Jacobson)
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01. Search And Destroy (Pop, Williamson)
02. Gimme Danger (Pop, Williamson)
03. Your Pretty Face Is Going To Hell (Pop, Williamson)
04. Penetration (Pop, Williamson)
05. Raw Power (Pop, Williamson)
06. I Need Somebody (Pop, Williamson)
07. Shake Appeal (Pop, Williamson)
08. Death Trip (Pop, Williamson)
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The Stooges | The Stooges (1969)

No final dos anos 60, Detroit, uma cidade com orgulho de sua herança musical, era sinônimo do adocicado soul lançado pelo pioneiro Berry Gordy em seu selo Motown. Tudo isso mudou em 1969, a partir do álbum de estréia dos Stooges, uma onda corrosiva de guitarras lancinantes e uivos primitivos do cantor Iggy Stooge (como era então conhecido).

Os Stooges foram uma segunda escolha da Elektra — o diretor de artists and repertoir Danny Fields foi a Detroit para contratar o MC5 e seu garage rock, mas ficou tão impressionado com um show dos Stooges que decidiu dar a eles uma chance, também. Em junho de 1969, a banda seguiu rumo a Nova York para fazer o álbum com John Cale (ex-Velvet Underground). O único problema era a falta de repertório. Apesar de sua força ao vivo, a banda tinha apenas três músicas prontas. O diretor da gravadora, Jac Holzman, enfiou o grupo num quarto de hotel e deu o prazo de dois dias para que completassem o disco.

A banda emergiu com uma série de esquisitices brilhantes que não eram exatamente nem garage rock nem canto fúnebre. Cale impôs limites a canções como "1969", que ameaça explodir, mas não entra no território da loucura, e "I Wanna Be Your Dog", na qual os poderosos golpes de guitarra são contidos com rédea firme. Cale toca viola em "We Will Fall", uma peça de 10 minutos de estupor narcótico saído diretamente dos cânones do Velvet para a inconfundível voz de Iggy.

O álbum virou um mito, ao mesmo tempo que Iggy se metamorfoseava de Stooge em Pop, e, embora Fields se refira ao disco como uma "esquisitice musical", The Stooges ajudou a preparar terreno para a explosão punk que viria depois. (Seth Jacobson)
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01. 1969 (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
02. I Wanna Be Your Dog (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
03. We Will Fall (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
04. No Fun (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
05. Real Cool Time (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
06. Ann (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
07. Not Right (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
08. Little Doll (Pop, Alexander, Asheton, Asheton)
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